Construir a Greve Nacional da Educação no 18M do funcionalismo municipal de São Paulo!

O Chile mostra o caminho para derrotar o caos na Educação

Lucas Antonio Nizuma Simabukulo

O ano de 2019 foi marcado por muitas lutas no mundo. No Chile, a juventude e os trabalhadores se levantaram contra 30 anos de neoliberalismo e a Constituição de Pinochet, colocando a revolução na ordem do dia. Em São Paulo, os servidores públicos do município lutaram contra o desmonte e as privatizações promovidas por Bruno Covas (PSDB). O ano começou com uma greve unificada do funcionalismo (educação, saúde, assistência social, AGPPs – assistentes de gestão de políticas públicas – entre outros) pela revogação da SampaPrev, a Reforma da Previdência Municipal.

De autoria do ex-prefeito Fernando Haddad (PT), com aditivos do também ex-prefeito João Dória (PSDB), foi aprovada a SampaPrev em dezembro de 2018. Em fevereiro de 2019, todo o funcionalismo protagonizava a primeira grande greve em São Paulo após a entrada de Covas na prefeitura e a eleição de Bolsonaro no Governo Federal, com grande destaque das mulheres, maioria absoluta da categoria.

Não faltaram parlamentares que buscavam desviar as lutas para a confiança na Câmara de Vereadores (Cidadania, PSB, PT, PSOL), mas o que se destacou mesmo foi a força da categoria. O desmonte da greve pela direção do Fórum das Entidades (CUT, Cidadania e outros), que se recusou, entre outras coisas, a organizar o fundo de greve aprovado em assembleia, contribuiu para a vitória do governo. Essa luta nos mostrou que o movimento precisa avançar, passar por cima das suas direções sindicais se necessário, sem nenhuma confiança no Parlamento.

A demissão de trabalhadores terceirizados também é outro ataque que contribui para o sucateamento das escolas. Na conjuntura atual, a terceirização divide os trabalhadores, utilizando-se do racismo para naturalizar um trabalho em condições bastante precárias, particularmente para as mulheres negras. Contudo, foram realizados atos solidários como no Butantã contra as demissões. É na luta que a gente se encontra!

O déficit de mais de 50 mil crianças que não possuem vaga na educação infantil, tem sido utilizado como justificativa para a privatização do setor. No fim de 2019, aprovou-se na Câmara o programa “Mais Creches”, que ao contrário do que o nome afirma, representa “menos creches”, pois repassa mais de R$ 300 milhões de verbas públicas a instituições privadas e esvazia o espaço da educação infantil oferecendo uma espécie de “voucher”. As professoras de educação infantil realizaram diversas manifestações, e a luta da educação infantil pelos direitos das crianças e mulheres trabalhadoras segue!

Todos esses ataques ocorrem porque, a partir do Governo Federal, passando por estados e municípios (inclusive aonde o projeto de conciliação de classes do PT/PCdoB governa), o país passa por uma verdadeira “recolonização”, exportando produtos primários e importando tecnologia. Assim, a educação pública é colocada em cheque, pois além de ser ofertada como mercadoria, é excludente e em pouco tempo não será ofertada a todos.

Nós do PSTU acreditamos que o funcionalismo público e as periferias têm dois desafios pela frente, e queremos estar ombro a ombro com os trabalhadores nessa luta. O primeiro é fortalecermos a organização das comunidades e funcionalismo, criando e fortalecendo associações de bairro, conselhos populares dentro e fora das escolas, coletivos e oposições sindicais, para construir nas lutas a mais ampla unidade entre os trabalhadores e suas organizações, para enfrentar os ataques de Covas e colocar para fora Bolsonaro, Mourão e Guedes. Seguir o exemplo do Chile, e enfrentar na luta direta as reformas e as ameaças autoritárias da ultradireita.

O segundo é, a partir dessas lutas, construirmos uma alternativa política revolucionária e socialista entre os trabalhadores, para que, a partir da base, possamos lutar por uma outra sociedade, que garanta desde a primeira infância até a idade adulta educação pública de qualidade, com um currículo que ofereça o melhor do conhecimento científico e artístico já produzido pela humanidade, mas que também responda às demandas das comunidades, especialmente de gênero, negras, indígenas e periféricas. Essa sociedade é possível, mas é preciso desde já educar os trabalhadores a perseguir nas lutas essa sociedade socialista.

Todos e todas no 8M e 14M! Contra a violência e a retirada de direitos! Punição aos assassinos de Marielle e Anderson! Derrotar Bolsonaro e Damares já!

Vamos parar nossas comunidades escolares! Todos e todas no 18 de março, Greve Nacional da Educação!

Derrotar Dória e Covas em São Paulo! Vamos botar pra fora Bolsonaro, Mourão e Guedes! Ditadura nunca mais!

“Ela virá, e trará ao povo, não só o direito ao pão, mas também o direito à poesia” Leon Trótsky