Congresso da CUT: olha lá, outra vez, o picadeiro

Nos dias 10 e 11, foi realizado o 90 congresso da Central Única dos Trabalhadores. Aconteceu o que todos já sabiam. Além de referendar o apoio da central à reeleição de Lula, selando o caráter governista da entidade, a chapa da Articulação Sindical – braço sindical do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e do presidente Lula – venceu por ampla maioria.

Na chapa 3 se agruparam a Articulação e a CSD, corrente ligada à tendência petista Democracia Socialista (DS). O PCdoB compôs com as tendências petistas O Trabalho, Tendência Marxista e Articulação de Esquerda, na chapa 2. Por fim, a chapa 1, a Frente de Esquerda Socialista (FES), foi composta por setores do PSOL e outros grupos.

O congresso foi um duro golpe nos setores da esquerda cutista que ainda seguem na central e alimentam a ilusão de reverter a sua degeneração. Bem diferente do que dizem para suas bases, é impossível formar uma nova maioria na CUT e trazê-la novamente para as lutas. A maior prova do fiasco deste setor, em particular de setores ligados ao PSOL que defendem a permanência na CUT, foi o fato de sua chapa atingir apenas 6,4%, número inferior ao coeficiente mínimo de 10% exigido pelo estatuto para ingressar na diretoria.

Já é hora de aprender com a realidade. Lamentavelmente, o papel que coube à esquerda cutista no congresso foi o de legitimar o que a sua direção majoritária está fazendo. “Não existe disputa que possa ser feita dentro da CUT. É preciso que os companheiros reflitam e dêem um passo adiante, no sentido de romper com a CUT e ajudar a construir uma alternativa, a Conlutas”, declarou Zé Maria, integrante da Conlutas.

O congresso também definiu quem será o novo presidente da CUT. O candidato da Articulação, Artur Henrique Santos, apoiado por Lula e Marinho, foi eleito novo presidente, com 69,04% dos votos.

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