Comandos de base levam 12 mil ao ato dos professores de São Paulo

Ato-assembléia dos professores
Alex Leme

Disposição de luta de greve que acabara de começar é traída pelo presidente do SinpeemNo dia 2 de junho, primeiro dia da greve da educação municipal, numa assembléia que reuniu mais de 12 mil trabalhadores, o Presidente do Sinpeem (Sindicato dos Profissionais de Educação do Ensino Municipal de São Paulo), Cláudio Fonseca (ex-PCdoB e Corrente Sindical Classista) e seus asseclas desmantelaram toda a assembléia e enterraram uma greve que mal acabara de se iniciar. Após voltar de uma conversa com representantes do governo José Serra (PSDB), traíram as reivindicações da categoria, principalmente o reajuste e a reposição das perdas de 34,76%, quase justificando o aumento de 0,01% imposto pelo governo.

Não havia uma manifestação tão grande desde 1986, à época de Jânio Quadros, quando a categoria conquistou o plano de carreira. Isso foi fruto do trabalho dos comandos de base, que durante mais de uma semana passaram nas escolas discutindo com os professores. Os trabalhadores tinham disposição de luta contra a política de arrocho salarial e destruição da educação pública implementada por Serra, e em boa parte herança do governo Marta Suplicy (PT). Havia uma perspectiva de vitória histórica para o funcionalismo municipal e às demais lutas que acontecem simultaneamente, como a Previdência e a Saúde federais.

Traição histórica
A traição superou as antigas alianças com o governo que o presidente e boa parte da direção majoritária da entidade vêm fazendo desde o governo petista de Marta Suplicy, quando o Plano de Carreira do funcionalismo foi rifado em troca da Avaliação de Desempenho; forma mascarada de extermínio da evolução e promoção funcionais. No mês passado, foi aprovado o aumento da contribuição do IPREM (Instituto de Previdência do Município) de 5 para 11% com uma luta pífia e oficialista por parte desta mesma direção majoritária do Sinpeem.

Ao final, Cláudio Fonseca não conseguia sair do caminhão de som, porque uma parte da vanguarda queria justificativas pela traição, e começou a espalhar boatos que muitos ativistas estariam armados. Ao descer do caminhão (sob os gritos de: Pelego!, Governista!, Vendido!), acompanhado de seus “seguranças políticos”, incitou os trabalhadores pedindo para ser agredido. Como a provocação não surtiu efeito desejado, um de seus capangas chamou a PM de prontidão e tentou prender um ativista. Na confusão, Cláudio Fonseca “escapou”. O ativista não foi preso, porque os trabalhadores não permitiram.

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