Chega de Dilma, PT, PMDB e PSDB


Dilma e PT usam a indignação contra PL da terceirização para aprovar, de maneira desapercebida, as MP’s do ajuste fiscal que atacam os direitos trabalhistas

Quando fechávamos a edição 496 do Opinião Socialista, concluía-se mais uma manobra do governo Dilma e do PT. Usaram a indignação dos trabalhadores contra o PL das terceirizações para tentar aprovar na Câmara dos Deputados, de maneira rápida e quase desapercebida, as duas medidas provisórias que atacam o direito ao seguro-desemprego, ao abono do PIS, à pensão por morte e ao seguro dos pescadores.

Na mesma noite em que Lula falava da defesa dos direitos trabalhistas no programa de televisão do PT, a bancada de deputados do PT atendia aos apelos do governo, de Eduardo Cunha e de todo o PMDB e decidia fechar questão: votar unidos as MPs de Dilma que atacam os trabalhadores e beneficiam os banqueiros e a patronal.

Na televisão, falaram em defender as conquistas dos trabalhadores. No governo, realizam o ajuste fiscal, unidos ao PSDB de Aécio Neves (e de Beto Richa), ao PMDB de Eduardo Cunha e a outros partidos patronais.

O governo, o PT, as lideranças dos partidos de sua base de sustentação, como o PMDB, bem como a oposição burguesa – PSDB, DEM e cia. –,  querem aprovar as MPs e o ajuste já a partir desta semana para que vá ao Senado. Eles também querem aprovar o ajuste fiscal que vai cortar diretos e investimentos nas áreas sociais na casa dos R$ 60 bilhões para garantir o pagamento da dívida pública aos banqueiros.

Esse mesmo ajuste fiscal é feito por governadores e prefeitos em favor de banqueiros. É por isso que, numa semana, assistimos a brutal repressão de Beto Richa (PSDB) aos professores do Paraná, o descaso de Alckmin com os professores de São Paulo, a intransigência da prefeitura do PSOL em Macapá (AP) com os trabalhadores em educação.

Outro partido que mereceria uma medalha antitrabalhador é o Solidariedade do Paulinho da Força. Em apenas uma semana, conseguiu a proeza de: 1) ter o relator do PL 4330 e defender de maneira aguerrida as terceirizações; 2) ter como membro do seu partido o secretário de Segurança do governo Beto Richa, o odioso Fernando Francischini; 3) realizar uma “festa do trabalho” no 1º de Maio, em São Paulo, com a presença do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB) e de Aécio Neves.

Enquanto isso, os trabalhadores amargam demissões e aumento dos preços. Desta vez, a Volks colocou 8 mil operários em férias coletivas, enquanto a água, em São Paulo, e a luz, em nível nacional, sofrem mais um aumento de 15%.

Já os banqueiros e as multinacionais estão cada vez melhores. Os gastos com juros da dívida foram os que mais cresceram este ano. Segundo a Auditoria Cidadã da Dívida, em 2015, deverão ser gastos, no total, US$ 1,4 trilhão ou 47% de todo o Orçamento federal com a dívida. Isto é, US$ 378 bilhões a mais do que foram gastos no ano passado.

Os banqueiros ganham nas duas pontas: com o aumento dos juros, que faz a dívida crescer, e com o ajuste que garante mais recursos para o pagamento desses juros. Os bancos não param de lucrar. Só o lucro do Itaú superou a previsão e cresceu 29,7%, para R$ 5,7 bilhões no primeiro trimestre.

Os trabalhadores e o povo têm motivos de sobra para estarem indignados.