Carta do PSTU e do PCB de Porto Alegre ao PSOL, em defesa da Frente de Esquerda

O PSTU de Porto Alegre, junto com o PCB, emitiu uma carta ao PSOL nesta semana, no esforço de reeditar a Frente de Esquerda de 2006. Para isso, os dois partidos colocam como condição a não-aliança com partidos da burguesia. Leia, abaixo, a íntegra da cartÀ Direção Municipal do PSOL

Companheiros (as),

Nossos partidos – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) e o Partido Comunista Brasileiro (PCB) – preocupados com a reedição da Frente de Esquerda de 2006, com vistas às próximas eleições municipais de Porto Alegre, solicitamos uma reunião para discutirmos os termos nos quais poderá ou não se constituir esta frente que, no nosso entendimento, seria muito importante.

Pensamos que, apesar de ser uma eleição municipal, estará colocado o debate nacional. Em particular, o PT e seus aliados do Planalto e a oposição de direita farão destas eleições o primeiro round para a disputa de 2010. Nós, além de debatermos os problemas e soluções locais através do debate e de outros meios, temos de dar um caráter nacional a esse processo eleitoral.

A última eleição, além da votação expressiva de Heloísa Helena e da própria Luciana Genro para deputada federal em Porto Alegre, ficou marcada pela derrota do PT, quando, pela primeira vez, Lula perdeu no primeiro e no segundo turno em nossa cidade e no Estado. O segundo lugar de Lula não foi circunstancial, mas sim a expressão de um profundo desgaste e uma experiência avançada dos trabalhadores com o partido que foi sua referência de luta e eleitoral por longo tempo, tanto que governou a cidade por 16 anos e o Estado por quatro anos.

Para nós, a Frente de Esquerda, no terreno eleitoral, precisa demonstrar que quem mudou foi o PT e que nós não vamos seguir o mesmo caminho daquele partido. Precisamos ajudar a população a tirar as conclusões dos motivos pelos quais aconteceu a traição do Partido dos Trabalhadores. Na nossa opinião, isso só será possível se for apresentado um programa classista e anticapitalista, ademais de em nossa Frente de Esquerda não figurarem partidos da base aliada do governo Lula e/ou partidos que representam setores da burguesia, no âmbito local ou nacional

Nesse sentido, apesar da decisão, no final do ano passado, de buscar a coligação com o PV e de termos manifestado nossa contrariedade a essa aliança, pensamos que há um elemento novo que deveria ser considerado para uma possível reunião entre nós, partidos que compusemos a Frente de Esquerda em 2006.

Ocorre que, depois da decisão dos companheiros do PSOL, foi lançada a candidatura do deputado federal Fernando Gabeira, principal figura pública do PV, à Prefeitura do RJ, encabeçando uma coligação com o PSDB de Fernando Henrique e outros partidos burgueses, bem como declarou que, durante a eleição, não se fizesse oposição e críticas ao governo Lula, ademais de ter assegurado que seu governo se caracterizaria por ser um “show de capitalismo”.

A coligação no RJ foi notícia nacional pela figura que é Fernando Gabeira. Mas tornou-se notória, também, pelo tipo de coligação que esta sendo feita: o PV base aliada de Lula e o PSDB principal opositor de direita ao governo federal. Nós, do PCB e PSTU, pensamos que essas circunstâncias terão grande repercussão nas eleições de Porto Alegre.

Diante desse quadro, sem falarmos na conjuntura internacional, onde se vislumbra um ascender da luta antiimperialista, vale dizer, da esquerda, nos parece importante que voltemos a discutir a reedição da Frente de Esquerda e por conseqüência a desistência do PSOL em buscar a coligação com o PV.

Esperamos que os companheiros (as) valorizem este pedido de discussão e que possamos agendar uma reunião para breve para ver se existem possibilidades de reeditar a frente de esquerda nos moldes do que foi a Frente de 2006, guardadas as particularidades do processo municipal.

Aproveitamos, finalmente, a oportunidade para renovarmos nossas fraternais saudações SOCIALISTAS.

Porto Alegre, 17 abril de 2008
Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) e Partido Comunista Brasileiro (PCB)

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