Carta de Zé Maria a Matheus Gomes e aos demais dirigentes do Bloco de Lutas perseguidos politicamente

    Zé Maria ao lado de Matheus Gomes e Martina Gomes nas eleições de 2010

    Nesta quinta-feira, 5 de junho, ocorre ato político e cultural em Porto Alegre de Solidariedade às lideranças do Bloco de Lutas perseguidas pelo Estado Brasileiro por organizarem a luta pelo Passe Livre na capital gaúcha. Zé Maria não pode estar presente na atividade, mas enviou uma carta.

    Ao companheiro Matheus e demais dirigentes do Bloco de Lutas de Porto Alegre que estão sendo perseguidos politicamente pelo Estado,
     
    Eu queria muito estar aí neste ato que se realiza hoje em Porto Alegre, não só para levar a minha solidariedade aos companheiros e a solidariedade de toda a militância do PSTU nacionalmente, mas porque queria falar um pouco pra vocês da minha experiencia.
     
    Tinha 19 anos quando fui preso pela primeira vez, na ditadura militar, junto com dois outros jovens que tinham poucos anos a mais que eu. Fomos presos e torturados porque defendíamos os direitos dos trabalhadores e o direito à organização independente dos trabalhadores e jovens para que pudessem lutar por seus interesses.
     
    Assim como fez conosco, a ditadura prendeu, torturou, centenas, milhares de trabalhadores e jovens. Muitos perderam sua vida. Ela queria nos calar, sufocar a nossa luta. O objetivo dos militares com isso era defender os interesses do grande capital.
     
    Não nos calamos. Continuamos a lutar. A Ditadura não nos derrotou. Fomos nós, os trabalhadores e jovens que, nas ruas, derrotamos a ditadura no início da década de 80, pondo fim ao regime militar que governou nosso país por 20 anos.
     
    Hoje, assistimos crescer novamente a perseguição contra os que lutam em defesa de seus direitos. Voces são a expressão deste processo no Rio Grande do Sul. Em todo o país, já são centenas de jovens e trabalhadores indiciados e processados. Mais uma vez querem calar nossa voz e parar nossa luta.
     
    Pois mais uma vez, não vão nos calar, nem vão conseguir parar a nossa luta. Ontem ditadura. Hoje, a chamada democracia burguesa. Não interessa. Vamos derrotar os defensores dos interesses do grande capital. E haveremos de construir neste país um lugar justo, igualitário, socialista, onde todos e todas possamos aqui viver de forma plena, como seres humanos que somos.
     
    Um grande abraço a todos vocês.
    Firmes na luta. Na luta construiremos nossa vitoria.
    Zé Maria
     
     

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