Caravana julgará perseguição a militantes da Convergência que atuaram nas greves do ABC

Militantes do ABC participaram ativamente das greves, que foram fundamentais para a derrubada da ditadura militar

 
Na próxima sexta-feira, 25, a partir das 9h, acontece no Teatro Tuca (PUC-SP), a 77ª Caravana da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Durante o evento, serão apreciados os requerimentos de anistia dos militantes da ex-Convergência Socialista, organização política fundada em 1978, conhecida pela sua luta contra a ditadura militar e por ter sido a primeira organização a propor a fundação de um Partido dos Trabalhadores (PT).
 
As caravanas têm como objetivo realizar sessão externa de julgamento de processos de anistia política, na qual serão julgados processos de cidadãos perseguidos durante o regime militar. Esta 77ª edição, no entanto, não será um julgamento individual. Especialmente, poderá ser reconhecida oficialmente a perseguição política a uma organização e, em consequência disso, o papel da Convergência Socialista na luta pelo fim da ditadura militar. Serão 29 ex-militantes da CS que poderão ter anistia e reparação política e financeira.
 
Do ABC Paulista, farão parte do processo o professor Wagner Poleto, os metalúrgicos Maria Cristina Salay, Danilo Silva Barbosa e Ricardo Pereira de Oliveira. Também serão julgados os processos dos operários da construção civil Emmanuel de Oliveira e Severo Alves Maia.
 
“Neste dia 25 de outubro, não se trata apenas de reconhecimento e reparação a todos que foram perseguidos. Trata-se da recuperação da memória da luta do povo brasileiro. Trata-se da luta pelo esclarecimento de toda a verdade, de todos os crimes cometidos pela ditadura civil-militar e da punição dos torturadores, assassinos, seus mandantes e financiadores”, afirma Zé Maria de Almeida, preso e torturado por sua atuação nas greves do ABC em fins dos anos 1970, anistiado e, atualmente, presidente nacional do PSTU.
 
Breve História da Convergência Socialista
A Convergência Socialista teve sua origem em outra organização, a Liga Operária, que, desde o início da década de 1970, destacou-se também como uma das mais atuantes organizações no combate à ditadura.
 
Foi a Convergência Socialista que teve a ousadia de realizar a primeira reunião pública de socialistas ainda durante a ditadura, em 1978. Participou do 1º de Maio de 1980 no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, junto com os mais de 100 mil manifestantes. Em 1981, esteve na Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras (Conclat), defendendo e fazendo parte da Comissão Nacional Pró-CUT. Da mesma maneira, militantes da CS estiveram à frente dos piquetes da Greve Geral de 1983, tendo muitos militantes presos e golpeados pela polícia. Em 1984, suas colunas também estavam presentes nas marchas pelas “Diretas Já!”.
 
“Toda esta luta vem sendo reconhecida pelo Estado e pelo movimento dos trabalhadores através dos processos de anistia e reparação política nos últimos anos”, afirma Américo Gomes, da Comissão de Presos e Perseguidos Políticos da ex-Convergência Socialista. Segundo Américo, em função desta história, muitos militantes foram assassinados, torturados, presos, perseguidos, demitidos de seus trabalhos, ameaçados de morte e obrigados a abandonarem suas cidades.
 
A Convergência Socialista foi uma das organizações que deu origem, posteriormente, ao Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU).

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