Candidatura de esquerda ganha visibilidade em BH

Vanessa Portugal é trabalhadora da Educação, e está disputando as eleições à prefeitura de Belo Horizonte (MG). De acordo com a última pesquisa do IBOPE, Vanessa está com 3% das intenções de voto, e sua campanha começa a furar o bloqueioFala Vanessa Portugal, candidata à Prefeitura de Belo Horizonte

Como está a eleição em Belo Horizonte?

Os candidatos são o atual prefeito, Fernando Pimentel, do PT, que tem o PTB como vice. A oposição burguesa rachou. O PSDB, do governador Aécio Neves, apóia a candidatura do deputado João Leite, do PSB, com o PMDB de vice. E o PFL lançou o ex-ministro da Previdência, o deputado Roberto Brant, com o PDT de vice. Nós do PSTU lançamos nossa chapa e dez candidatos à Câmara Municipal. Belo Horizonte é governada, em composição, pelo PT e PSB há doze anos. A polarização entre os dois partidos é uma farsa, pois representam o mesmo projeto.

O primeiro debate, por exemplo, do qual fomos excluídos, foi ridículo. Até os grandes jornais ironizaram a hipocrisia e a cordialidade dos três candidatos. São todos representantes do mesmo modelo econômico, da submissão ao imperialismo.

Quais os maiores problemas enfrentados pelo povo de Belo Horizonte?

As administrações municipais do PT e do PSB se enfrentaram com os pobres e governaram para os ricos. Os perueiros foram retirados do centro da cidade na base da pancada. Os camelôs estão sendo transferidos para shoppings populares, com aluguéis caríssimos e disputando barraquinhas com comerciantes ilegais e contrabandistas. Para esses, o governo faz vista grossa. Durante uma das greves dos trabalhadores em Educação, que é a minha categoria, a prefeitura chegou a afirmar que era preciso “quebrar o sindicato”. Agora está atacando a organização e a democracia dentro das escolas, botando verdadeiros “capitães do mato” para inspecionar os educadores. Já o PSB, o PFL e o PSDB no governo estadual também têm se enfrentado com o funcionalismo e abandonado a população. Os trabalhadores da rede hospitalar estão em greve e sem perspectiva de negociação. Pessoas estão sofrendo sem atendimento, mas Aécio Neves quer derrotar os trabalhadores, apostando no cansaço dos grevistas.

E quais são as propostas que a sua campanha apresenta?

Em BH existe uma promiscuidade na relação da Prefeitura com os tubarões do transporte coletivo. O metrô não avança até o Barreiro e Venda Nova, regiões da periferia, devido ao lobby dos empresários. A qualidade do transporte é ruim, não existe licitação, mas o lucro é garantido. É o capitalismo sem risco, implantado pelo PT. Nós defendemos a criação da empresa municipal e a municipalização, com isenção de tarifas para estudantes e desempregados. Outro escândalo é a terceirização. A coleta do lixo e a varrição já estão com 80% da mão-de-obra terceirizada. Boa parte dos auxiliares de escola também. São justamente os trabalhadores mais explorados. Essa situação precisa ser revista. A verdade é que esses setores privilegiados são financiadores das campanhas do PT.

Você apareceu na primeira pesquisa IBOPE com 3%, à frente do candidato do PFL. Como explica isso?

Nós não vamos nos pautar pelas pesquisas. Se esse espaço se confirmar, significa que a experiência com o PT e as alternativas da burguesia estão avançando rapidamente e o nosso Partido precisa ter audácia para ocupar esse espaço e, inclusive, tentar eleger um representante na Câmara. O mais importante foi que começamos a furar o bloqueio dos grandes veículos de comunicação. Levamos para a telinha nossa campanha, divulgando nossa atuação na greve da Saúde e as visitas aos bairros populares, como o Pilar, Tupi, Céu Azul e Vale do Jatobá. Vamos continuar insistindo que só a luta e a organização dos trabalhadores mudam a vida e chamaremos o voto no PSTU.

O fato de ser a única mulher na disputa ajuda?

Sim, por ser mulher, trabalhadora em Educação, uma categoria que se enfrenta de maneira mais organizada com a administração, mas, acho que também por ser socialista… É, é possível! Existe um espaço de oposição e de esquerda que nos pertence e pode ser que consigamos ampliar a audiência para as nossas propostas. A militância está chamada a disputar, com audácia, esse espaço.

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