Cabo Daciolo e mais 12 são expulsos da corporação no Rio

Cabo Daciolo durante congresso da ANEL em 2011

Sérgio Cabral segue criminalizando movimento grevistaO cabo Benevenuto Daciolo , líder da greve dos bombeiros do Rio de Janeiro, e mais 12 militares foram expulsos da corporação nesse dia 12 de março. A decisão é mais uma demonstração do autoritarismo e truculência do governo Sérgio Cabral (PMDB) para com os movimentos grevistas que lutam por melhores salários e condições de trabalho.

A greve da Polícia Militar do Rio de Janeiro, iniciada no dia 10 de fevereiro, foi fortemente reprimida pelo governo desde o início, com a prisão do cabo Daciolo e de mais 11 líderes do movimento no presídio de Bangu 1. As prisões ocorreram sob a acusação de incitação à greve e apoio ao movimento grevista dos policiais militares da Bahia.

Segundo a junta militar que julgou o caso, Daciolo “manchou a honra da corporação ao participar de movimento reivindicatório por melhores salários” . Os bombeiros expulsos foram considerados “culpados por articulação em manifestações de caráter político-partidário, nas quais incitaram ostensivamente a tropa à prática ilícitas” . O recado expresso nesta decisão é claro e direto: o comando militar e o governo carioca não admitirão qualquer tipo de organização de suas bases em torno de melhores salários e condições de trabalho.

Enquanto isso, na Bahia…
Na Bahia, o líder da greve da Polícia Militar, Marco Prisco, além de outros grevistas, continuam presos sem acusação formal, o que comprova a caracterização de prisão política por parte do governo petista Jacques Wagner.

A greve da PM baiana evidenciou a crise da segurança pública no estado e a forma de o governo petista lidar com reivindicações: recusa ao diálogo, difamação e criminalização do movimento, com dezenas de grevistas presos e mais de 180 processados.

A expulsão dos grevistas é uma demonstração de força do governos Cabral e Wagner em tempos de Copa e Olimpíadas, e representam um marco na criminalização de movimentos sociais e grevistas com o emprego até mesmo de tropas federais do Exército e grampos telefônicos, tudo com a conivência de Dilma Rousseff.

É necessário continuar a luta pelo direito de greve e sindicalização dos bombeiros e policiais militares, além da mais ampla unidade dos movimentos sindical, estudantil, e popular contra essa perseguição, exigindo a libertação dos policiais ainda presos e a imediata reintegração dos bombeiros expulsos.