Breve análise histórica da direção da Organização para Libertação da Palestina (OLP)

“O contexto histórico da Organização para Libertação da Palestina (OLP) pelo abandono da estratégia política, a fragmentação partidaria, a ausência de democracia e o dominio da ultra-direita na direção, tem exercitado um papel muito importante, de estabelecer alianças entre a direção da OLP e os governantes árabes e imperialistas, e levar posteriormente à crises internas”.

A burguesia da direção da OLP tem posto nas sua estratégia as massas palestinas como arma, para fazer da sua luta um meio de negocio, com fins financeiros.

A OLP, depois de 1974, se demonstrou permeável às orientações do imperialismo norte americano por meio dos governantes árabes, que procuravam proteção de Estados à troca de petróleo. Não há a menor dúvida de que a incorporação da OLP ao seio da manobra imperialista, ia encortar o seu caminho ao poder, e afastava o perigo revolucionário palestino, este entusiasmo não era nada mais que o reflexo do oportunismo da burguesia. Arafat dentro da OLP na última década, nunca foi tomado em sério, constituía algo assim como uma figura simbólica de algo muito importante que estava acontecendo: a adesão da boa vontade dos governantes árabes ao “novo” programa político da OLP, que mais tarde se configurou no aceito de transformar as renúncias estratégicas em Autonomia Nacional Palestina (ANP) em Gaza e Cisjordânia, reconhecendo assim, o Estado sionista, e a resolução 242 da ONU.

A profunda crise da OLP chega até o público através do abandono das reivindicações tradicionais mais importantes do seu programa político, e da opção da luta armada, se trataria -para a ala burgues-, de ajustar os enunciados à uma nova realidade. Os fracassos sofridos no terreno da luta, a não chegada à nehuma vitória revolucionária através da luta armada-desde fora do território Palestino-, a saida do líbano em 1982, a perda do terreno para os grandes investimentos da burguesia, a queda da Unión Soviética e o domínio da direção pela burguesia, todos estes fatores convenceram a OLP do que, não podem cumprir com a sua tarefa e função, se precipitou a crise e ésta se traduziu desesperadamente na promessa do imperialismo norte americano e a ONU, com a ala burgues da OLP para aceitar uma Autonomia limitada, tal como foi discutida no acordo Camp David entre Anwar Al Saddat e os sionistas em 1978. A OLP convertida no partido da “Ultra-direita” que protege imediatamente o interésse da classe burgues, a qual começa a defender o Estado palestino com autonomia limitada, como uma forma de novo caminho à economia sionista que poderia dar bons retornos e novas riquezas.

A União Soviética, países socialistas-stalinistas e outros, afogaram a OLP com dinheiro, armas, bolsas de estudo, alimentos, vestimentas, e de todo tipo de ajuda, “menos os princípios revolucionários”. Em nome do povo palestino os parásitas da OLP se alimentaram até o ponto da corrupção, é de aí exatamente foi de onde surgiu a ala burgues com idéias veínculadas aos interésses pessoais. A ala burgues dispersa no mundo, e principalmente árabe, estava vitalmente interessada em preservar sua riqueza, éste é o fundamento da sua conduta política em relação a questão palestina e o processo de Paz.

Os burgeuses da OLP enfrentaram decadências continuamente e instabilidade económica após sua saida do líbano, a idéia velha- de 1974- de aceitar um Estado palestino sob as condições impostas pelo inimigo, foi reanimada no meio do bando burgues que estava procurando, um espaço para desenvolver sua fortuna ameaçada nos países árabes.

O nacionalismo que propunga a trasformação e desenvolvimento do país dentro dos modelos capitalistas-sionistas e contando com o apoio imperialista, corresponde à natureza e objetivos da burguesia palestina.

Todos lembramos quando foi assinado o acordo Oslo em 1993, uma grande parte da calsse burgues palestina dispersa no mundo, retornou à Palestina com a esperança de ter novas oportunidades financeiras em um Estado livre, que após a guerra e na sombra da “independência e a Paz” haverá um movimento de capital estrangeiro para a reconstruçaõ do País, não foram eles que pensaram assim, foram as garantias que deu a “ultra-direita” burgues da direção da OLP, que dedicou toda sua vida a acumular capital a custa dos oprimidos palestinos, chegou o momento em que não podiam continuar roubando -desde fora- já que existirá um Estado de automonia palestina, e terão que estar perto do povo para assumir a “miséria” do Estado que palnejaram. A ilusão se acabou quando a Intifada não permitiu passar esta alternativa como solução para a questão palestina, e trocar o territótio palestino usurpado por um Mini-Estado, desepcionados e com perdas financeiras, muitos empresários sairam de volta à onde tem mais fortunas e oportunidades, a pesar das garantias que oferecia a ANP. Neste então, quem permaneceu com capital e oportunidades eram “os únicos”- a ala burguesa da direção da OLP- que veia através do processo de paz a única chance inevitável, para continuar no caminho da riqueza, “ já que o mercado permitia e as condições objetivas estavam preparadas”.

O imperialismo, tendo como instrumento fiel à ANP, escolherá o momento mais oportuno para afogar às massas palestinas em sangue. Para isso a ANP organizou seu proprio exército de policiais dentro da sua área de dominio, para desarmar ao povo, afastar os líderes revolucionários ou someté-los à prisão e abrir o caminho na frente do exército sionista para eliminar outros.

“É impossível não encontrar nenhum relato a respeito de que Abbas (abu Mazen) e dahlan estaõ implicados na corrupçao que pragou à ANP desde o princípio. O chalet de Abbas , de US$ 1,5 milhões construido entre a imundície de Gaza. Tambêm Dahlan construiu um chalet luxoso. Em 1997 um documental de investigação realizado pelos jornalistas de Haaretz Ronen Bergman e David Ranter (“O home que engoliu a Gaza” 4 de abril de 1997), detalhava a origem de uma parte desta riqueza, Dahlan, segundo este informe e muitos outros, se beneficiou de um monopolio sobre a importação de gasolina à Gaza. Os donos de postos palestinos eram forçados à comprar com preços altos e o serviço de seguridade de Dahlan passou boa parte de seu tempo protegendo os petroleiros Israelenses. Mais grave talvez é que os serviços de seguridade de Dahlan foram branco de numerosas condenas por parte de organizações de direitos humanos palestinas e internacionais, pelos abusos graves, incluendo a tortura. No ano passado (2002), o jornal israelense Maariv levantou uma onda de protestas quando revlou a extensão dos negocios e a relação financeira entre Arafat e seu cúmplices, e Yossi Ginossar, o ex-chefe de interrogatórios do Shin Bet Israelita. Ginossar foi acusado, entre outras coisas, de conduzir contas bancarias secretas (de Arafat) na Suiza”*

E qué falar sobre o milionário, Abu Alaá (o atual primeiro-ministro) dono de uma empresa de cimento, que vende grandes quantidades para o exército sionista para a construção do Muro da Segregação Racial. Penso que não tem tempo para falar de tanta corrupção, e basta por agora dizer que, a burguesia palestina esta caindo vítima do seu próprio jogo, e da manobra política do sionismo, que estava segura que, fazendo concessções ao setor das massas, podia conquistar postos claves no poder que a permitissem converter com cobertura do imperialismo suas riquezas cada vez em maiores. Nunca a burguesia palestina demonstrou de maneira mais brutal sua fisionomia. A política da Intifada, em torno dos objetivos programáticos dos parásitas, é considerar puros e inúteis discursos, e sua resposta é continuar na luta armada, que esta agonizando o plano imperialista.

* ( Ali Abunimah)-The Daily Star http://dailystar.com.lb el 23 Abril 2003.