BELO HORIZONTE | Dias de repressão: cidade em estado de sítio

    No último sábado, 22, Belo Horizonte (MG) foi palco de mais uma gigantesca marcha. Cerca de 200 mil manifestantes partiram da Praça Sete, no centro da capital, rumo ao Estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão, localizado na região da Pampulha. Durante a passeata, ocorria mais um jogo da Copa das Confederações da FIFA (México x Japão). As principais questões levantadas pela massa foram a crítica aos gastos com a realização dos megaeventos, mais investimento em saúde, educação e transporte públicos, pelo fim da corrupção, contra a repressão policial, pela redução das tarifas de ônibus, pela a ampliação do metrô da capital e por passe livre estudantil.
    A marcha seguiu pacífica pela Av. Antônio Carlos até a altura do viaduto da Av. Abrahão Caram, próximo à Universidade Federal de Minas Gerais, quando por volta das 16h, a Polícia Militar deu início a uma brutal repressão com bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo, balas de borracha e cassetetes. Em decorrência da desproporcional violência da Tropa de Choque, mais um jovem, desta vez com apenas 16 anos, se feriu gravemente, com traumatismo craniano e várias fraturas pelo corpo. Ele caiu do viaduto tentando fugir desesperadamente dos disparos. O protesto estava repleto de policiais à paisana, que buscavam identificar ativistas e militantes de esquerda os fotografando. Segundo própria a PM, 30 pessoas foram presas e outras 13 estão feridas e internadas.
    As denúncias da violência policial são muitas e têm causado indignação nas redes sociais. Um dos vídeos lançados na internet evidenciam que nem mesmo idosos foram poupados pela PM. Um senhor idoso, que aparenta ter entre 60 e 70 anos, foi atingido na cabeça por balas de borracha. A polícia não interrompeu os disparos e as bombas de gás nem mesmo quando outros manifestantes tentavam socorrê-lo e ele já estava com a cabeça sangrando.
    Apesar da repressão, os manifestantes seguiram a marcha e, passando pela Av. Santa Rosa e depois contornando a Lagoa da Pampulha chegaram a ficar a poucos metros do Estádio. No local, se juntaram aos professores da Rede Estadual, que protestavam por melhores salários. O protesto foi encerrado próximo do cerco militar imposto pela Força Nacional de Segurança  de Dilma, onde os manifestantes fizeram um enorme jogral anunciando que na próxima quarta-feira um novo protesto reunirá centenas de milhares de pessoas. Para este dia, a CSP-Conlutas de Minas Gerais, junto com a CUT e outras entidades e movimentos, preparam atos e paralisações em várias categorias, como metalúrgicos, professores, operários da mineração, trabalhadores da saúde, dentre outras. A PM e o prefeito da cidade prometem repressão ainda mais dura e disseram que prendeu pouco.

    Post author PSTU Belo Horizonte
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