Batalha nas ruas de Roma

Silvio Berlusconi sobrevive a moção de desconfiança do Parlamento italiano. Mas votação provoca enfrentamentos nas ruas de RomaO premiê da Itália, Silvio Berlusconi, conseguiu derrotar as duas moções de desconfiança votadas nesta terça-feira, dia 14, na Câmara de Deputados e no Senado. Assim, o premiê garantiu sua permanência no poder e evitou uma possível eleição parlamentar antecipada. Se fosse derrotado, Berlusconi seria o primeiro chefe de Estado da União Europeia que perderia seu cargo devido a protestos contra a crise econômica e contra as medidas de austeridades.

As duas moções foram votadas conjuntamente, e Berlusconi teve 314 votos favoráveis e 311 contrários, em um total de 630 votos. Houve duas abstenções. Há inúmeras denúncias de corrupção e compra de votos. Segundo a imprensa italiana, Berlusconi é acusado de “comprar” parlamentares através de cargos ministeriais ou contratos lucrativos de consultoria nessas.

No entanto, enganam-se aqueles que imaginam que a situação de Berlusconi ruma para a estabilidade política. Logo após a votação, uma verdadeira batalha campal foi travada nas ruas de Roma. Nas palavras do jornal espanhol El País, “o protesto contra Berlusconi em Roma degenerou em guerrilha urbana”.

Protestos não param
Dezenas de milhares de pessoas percorreram as ruas da cidade enquanto o Parlamento votava a moção de censura. Milhares de pessoas, entre estudantes, sindicalistas da Fiom-CGIL, comitês de cidadãos de L’Aquila, de Nápoles, os trabalhadores precários, desempregados, imigrantes, entre outros setores, vieram de todo o país para expressar seu Não ao premiê.

Diferentes marchas confluiriam na via dos Foros Imperiais. O destino último do protesto era o palácio de Montecitorio, a sede do Congresso. Mas a Polícia tinha fechado o acesso à zona onde se concentra os edifícios do poder, e impedindo seu acesso.

A vitória de Berlusconi desatou a indignação em Roma. Quando foi anunciada a vitória do premiê, o confronto com a polícia irrompeu. A polícia lançou gases lacrimogêneos. Os manifestantes lançaram objetos contra o palácio Grazioli, a residência do premiê, o palácio Madama (Senado) e palácio Montecitorio (Congresso). Colunas de fumaça, bancos e carros em chama pontuavam co centro da capital italiana.

O premiê sobreviveu ao voto no Parlamento, mas nas ruas dezenas de pessoas vão continuar dizendo Não aos ataques do governo. No último sábado, cerca de cem mil pessoas participaram em Roma de um protesto contra o governo Berlusconi. A multidão nas ruas de Roma mostra que o premiê terá muita dificuldade em aprovar as medidas que pretende jogar a conta da crise sobre as costas dos trabalhadores.

Muitos dos ativistas são estudantes que protestam contra a reforma do sistema universitário, que pretende aumentar a anuidade das universidades do país. Os estudantes estão mobilizados há dias contra o projeto. Praticamente todas as faculdades seguem mobilizadas contra o projeto de lei que também corta os financiamentos à universidade pública e as bolsas.

Por enquanto Berlusconi não foi o primeiro chefe de Estado que vai sair do poder em função dos protestos contra a crise econômica na Europa. Mas até quando seu governo poderá resistir?