Basta de agressões às mulheres trabalhadoras de Honduras

Não satisfeito em pisotear os mais elementares direitos democráticos do povo pobre e da classe trabalhadora, não satisfeito em deteriorar até o limite mais extremo as condi-ções de vida do povo hondurenho, o governo de Porfirio Lobo Sosa vem desatando uma criminosa campanha de ataques às mulheres – trabalhadoras, ativistas de direitos huma-nos e feministas – que, de uma forma ou de outra, tentam exercer alguma resistência a este governo que não representa os interesses dos trabalhadores hondurenhos.

Nesse sentido, a LIT (Liga Internacional dos Trabalhadores – IV Internacional), através de sua Secretaria de Mulheres, une sua voz à das lutadoras hondurenhas na denúncia desses ataques e na exigência ao governo para que pare imediatamente suas agressões. Também chamamos as organizações de mulheres combativas, democráticas e indepen-dentes e as organizações sindicais e políticas que se reivindicam defensoras dos direitos humanos de todo o mundo a somar-se a este grito de alerta que fazem as Feministas em Resistência (FER) de Honduras, que denunciam:

  • As companheiras Erlinda Reyes e Alina Aguilar, do Sindicato de Trabalhadores da Universidade Nacional Autônoma de Honduras foram detidas no dia 24 de março e le-vadas ao Tribunal de Justiça da seccional de Tegucigalpa. Aí foram acusadas pela co-missão dos delitos de sedição, usurpação e coação contra o Estado de Honduras. De-pois, foi determinada a prisão domiciliar e, no dia 26 de março, receberam sentenças substitutivas, como se fossem delinquentes comuns.
  • Em 26 de março, a poeta Rebeca Becerra denunciou que, às 3h30 da madrugada, foi, mais uma vez, vítima de perseguição e intimidação. Ela declara abertamente que responsabiliza o governo de Porfirio Lobo Sosa, a Secretaria de Segurança e os implica-dos em seu caso pelo que possa lhe acontecer e a suas filhas.

    É preciso frear esta criminosa campanha do governo contra os trabalhadores, lutado-res e lutadoras de Honduras, que visa perseguir e neutralizar todo o tipo de resistên-cia a suas nefastas políticas e também destruir todos aqueles que resistiram ao recen-te golpe de Estado. Nessa resistência, vê-se o crescimento da participação de mulhe-res da classe trabalhadora nas lutas, surgem grandes ativistas, organizadoras sindi-cais e políticas, e isso preocupa cada vez mais o governo e a burguesia. Essa campa-nha de ataques e intimidações contra elas é um sintoma a mais do despertar da luta das mulheres de Honduras. A participação das mulheres fortalece enormemente a resistência dos trabalhadores e, por isso, o conjunto das organizações de trabalhado-res, em todo o mundo, devem se manifestar, somando sua voz às reivindicações das Feministas em Resistência, exigindo:

  • A condenação enérgica por parte de todas as organizações de mulheres e de tr-abalhadores do mundo à brutal repressão da qual são vítimas as mulheres integran-tes da Resistência Popular em Honduras.
  • A solidariedade internacional diante da situação de impunidade que prevalece com relação aos crimes perpetrados contra as mulheres e integrantes da comunidade LGTBI (lésbicas, gays, transexuais e bissexuais).
  • A enérgica e unânime exigência às autoridades do Estado hondurenho para que investigue e sejam punidos os crimes que estão sendo cometidos com total impuni-dade contra a segurança das mulheres e de todos os que exercem seu direito de dis-cordar e lutam para consgeuir a transformação da sociedade hondurenha.

    Abaixo a repressão!

  • Pela liberdade e pelo respeito à vida do povo em resistência!
  • Nem golpes de Estado, nem golpes às mulheres!
  • Pela emancipação da mulher e de todos os oprimidos e explorados!
  • Fora o governo espúrio de Porfirio. A emancipação das mulheres e de to-dos oprimidos e explorados só se dará se a classe operária tomar o poder em Honduras e iniciar um processo revolucionário em direção à construção do so-cialismo.

    Secretaria Internacional de Mulheres da LIT-CI
    Abril de 2010