Aumentos e novos impostos são assalto aos trabalhadores

O povo de São Paulo ganhou como “presente” de fim de ano da prefeita Marta Suplicy (PT), um verdadeiro assalto a seu bolso. O IPTU aumentou mais de 20%; foram criadas novas taxas de lixo e de iluminação pública e, para culminar, a passagem de ônibus, que já era a mais cara do país, aumentou 20%. O aumento das passagens de ônibus, de R$ 1,40 para R$ 1,70 foi acompanhado pela elevação da tarifa do metrô pelo governo estadual de R$ 1,60 para R$ 1,90.
O aumento da passagem beneficia claramente os grandes empresários do transporte, garantindo seus lucros às custas de enormes sacrifícios para os trabalhadores, usuários do transporte público.
A criação de novas taxas de lixo e de iluminação pública, assim como o aumento de 20% do IPTU também recai sobre os trabalhadores e sobre a classe média. Além disso, o recolhimento de lixo e a garantia da iluminação pública são atribuições da administração municipal que já deveriam ser cobertas com impostos como o IPTU, que todos pagam.
Enquanto isso, a administração municipal continua pagando regularmente a dívida do município com o governo federal que se destina, em última instância, a garantir os pagamentos do governo federal aos grandes bancos credores da dívida externa e interna. Empresários, principalmente banqueiros e proprietários das empresas de ônibus, vão muito bem obrigado, e continuam isentos de maiores sacrifícios.
Para resumir, podemos dizer que todas as medidas votadas pela administração petista fazem recair o peso das exigências do FMI e dos credores internacionais do Brasil sobre os trabalhadores, na medida em que a criação de novas taxas e os aumentos de impostos e tarifas tem por objetivo aumentar a arrecadação da prefeitura para ”honrar” o pagamento da dívida pública do município com o governo federal e os grandes bancos privados.
As opções são claras: ou os trabalhadores pagam para que os grandes bancos tenham lucros fabulosos ou se rompe com esse sistema para que o povo possa viver dignamente.

A administração Marta hoje é o governo Lula amanhã

As medidas, tomadas pela principal administração municipal petista, acontecem justamente no momento em que começa o governo Lula, cercado por um clima de esperança, de enormes expectativas populares.
O problema é que Lula está seguindo o mesmo caminho da prefeita Marta Suplicy. Se antes o PT lutou muitas vezes contra medidas que prejudicavam os trabalhadores, hoje, no governo, propõe e aplica estas medidas.
Ao mesmo tempo em que lança o programa “Fome Zero”, o governo federal anuncia reformas da previdência, da legislação trabalhista e do sistema tributário. Todas essas propostas se baseiam no ataque às conquistas que os trabalhadores conseguiram depois de muita luta.
Falar em combater a fome, aumentando passagens, criando novos impostos para os trabalhadores e retirando conquistas é pura demagogia. Ou pior ainda, significa utilizar um problema tão grave quanto a fome para encobrir ataques aos direitos dos trabalhadores.
O combate à fome só pode ser efetivo e duradouro se for baseado na criação de novos empregos, na garantia de salários dignos, terra para quem a trabalha, transporte público barato, educação e saúde públicas, gratuitas e de qualidade.
Mas isso só é possível se o país rompe com o FMI, diz não à ALCA e deixa de pagar as dívidas externa e interna aos grandes credores. Isso significa enfrentar e derrotar a exploração efetuada pelos grandes empresários, banqueiros e agiotas internacionais sobre o Brasil.

Os trabalhadores só podem confiar em sua mobilização

O PSTU repudia as novas taxas e o aumento das passagens e denuncia os partidos que as apoiaram. Defendemos a expropriação da máfia dos donos das empresas de ônibus e que o transporte coletivo volte a ser estatal e subsidiado pela prefeitura. Esta é a única maneira de melhorar o serviço e implantar uma tarifa social que beneficie os trabalhadores.
Só a mobilização popular pode reverter esses aumentos e derrotar as medidas que prejudicam os trabalhadores. Esta é uma tarefa central dos sindicatos, das entidades do movimento popular, da CUT, da UNE e demais entidades estudantis, etc. Optar pelo silêncio diante de tais ataques e não mobilizar contra eles significa adotar uma postura governista e de defesa velada destas medidas. A única saída continua sendo a luta, organizada e independente, dos trabalhadores.
Post author Bernardo Cerdeira,
de São Paulo
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