Audiência pública é marcada por manifestação da ANEL e avança na luta pelo Passe-livre em São Paulo


Uma nova audiência pública acontecerá no dia 12 de setembro e terá como tema central a discussão do Passe-livre

Cerca de 500 pessoas participaram na noite desta quinta-feira da audiência pública na Câmara de São Paulo para discutir o transporte público da capital paulista, marcando o Dia Nacional de Luta pelo Passe Livre na cidade. A audiência foi marcada no dia 14 de agosto, depois da ocupação da Câmara Municipal, realizada por estudantes da Assembleia Nacional dos Estudantes Livre, ANEL, que reivindicava o passe livre para estudantes.

A audiência foi realizada junto à CPI dos transportes, e contou com a presença do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Sindicato dos Motoristas, além de entidades estudantis. Os secretários de transporte da cidade de São Paulo, Jilmar Tatto, e dos transportes metropolitanos do governo do Estado, Jurandir Fernandes, foram convidados a participar do debate, mas não compareceram.

A audiência foi aberta com uma explanação do presidente da CPI dos transportes, Paulo Fiorilo (PT), sobre as etapas e funcionamento da CPI. ” Queremos e precisamos ouvir as concessionárias, a partir daí poderemos discutir tarifa zero e Passe-livre, nosso compromisso é apurar e descobrir de onde podemos tirar para viabilizar o Passe livre“, afirmou o vereador.

Após a sua apresentação, o plenário pôde fazer falas na audiência. Altino Prazeres, presidente do Sindicato dos Metroviários, deixou clara a situação dramática em que se encontra os transportes em São Paulo com as denúncias das últimas semanas relativas ao desvio de dinheiro que chega a 1 R$ bilhão. “A imprensa noticia um rombo de 1 bilhão de reais nos trens, rombo feito pelas multinacionais. Não podemos permitir isto. Temos que ir às ruas e exigir que as multinacionais parem de nos roubar, devolvam o que nos roubaram. Temos que nos unir com os estudantes para acabar com essa máfia dos transportes“, afirmou.

Altino falou ainda da importância dos atos de ruas em conjunto com os estudantes e da possibilidade concreta de conquista da pauta proposta pelos estudantes, Passe-livre. “Acho que é possível ter o Passe-livre em São Paulo, sem redução de nossos salários, quem tem que pagar a conta do Passe-livre dos estudantes são os empresários“, concluiu.

Na oportunidade, a Assembléia Nacional dos Estudantes Livres lançou seu projeto nacional de Passe-Livre para estudantes e desempregados. Arielli Tavares, da Comissão Executiva Nacional da ANEL, falou do importante papel da juventude no mês de junho, que foi às ruas e conseguiu barrar o aumento das passagens, a cura gay e a PEC 37. A estudante ressaltou que no mês de agosto já foram ocupadas mais de quinze câmaras municipais no Brasil, e por um motivo, passe livre. “Queremos Passe-livre porque ele é um direito constitucionalmente garantido e hoje é desrespeitado pelos governos. O Passe-livre não é impossível, já existe em algumas capitais. Por isso, nós da ANEL estamos apresentando o projeto de passe livre, que os custos sairão dos bolsos dos empresários“, declarou.

Além do projeto de lei do Passe-livre, a ANEL protocolou requerimentos à CPI solicitando uma ampliação de suas funções, para que ela também investigue os lucros dos empresários dos transportes de São Paulo, que aumento 248%. “Não basta que os vereadores da CPI olhem as planilhas, é preciso questionar os altos lucros dos empresários e abrir a caixa preta dos transportes, e queremos saber, quais vereadores aqui vão votar a favor do passe livre para a juventude e contra a máfia dos transportes?”, questionou Arielli.

Ana Luiza, ex-candidata do PSTU à Prefeitura de São Paulo, também esteve presente no ato e aproveitou a audiência para protocolar um projeto de lei que propõe a estatização dos transportes da cidade, rumo à tarifa zero.

A audiência foi encerrada pelo presidente da câmara, José Américo (PT), e deixou indicada uma nova audiência pública no dia 12 de setembro, que terá como tema central o Passe-livre.

Ao fim da audiência, os estudantes e trabalhadores ali presentes uniram-se ao ato contra o genocidio da juventude negra, realizado pelo Comitê Contra o Genocídio da Juventude Negra e demais entidades do movimento, entre elas o Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe.