Ato contra a repressão na USP e pela retirada da PM do campus ocorre às 14h, no Largo de São Francisco

Adesivo da ANEL contra a repressão

Ato em solidariedade aos estudantes presos e pela retirada da PM da USP será realizado nesta quinta no Largo de São Francisco (SP)

O ato em repúdio as prisões dos 72 estudantes da USP e pela retirada da PM (Policia Militar) do campus da universidade será realizado nesta quinta-feira (10) em São Paulo. A manifestação foi convocada em assembleia realizada na noite de terça-feira com a presença de cerca de 3 mil estudantes.

O objetivo da mobilização é mostrar ao conjunto da população as medidas arbitrárias e repressivas que têm sido aplicadas na Universidade. Essas vêm se agravando, segundo os próprios estudantes, devido à presença da PM no campus. O ápice dessa truculência foi a desocupação da reitoria feita por mais de 400 policiais da tropa de choque, o que culminou com a prisão de 73 estudantes. Esses jovens foram indiciados por depredação do patrimônio público e desobediência civil.

Os manifestantes foram libertados após o pagamento de fiança na madrugada dessa quarta-feira (9). A CSP-Conlutas, em conjunto com sindicatos e movimentos sociais, conseguiu levantar o dinheiro para que esses estudantes, que foram tratados como bandidos pudessem ser soltos. “A CSP-Conlutas em conjunto com outros movimentos sociais prestou sua solidariedade política e financeira, pois uma de nossas principais bandeiras é lutar contra a criminalização dos movimentos sociais”, informou o membro do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) filiado à Central, Aníbal Carvalho.

Carvalho salientou também que a situação chegou a esse nível de truculência devido à “mão de ferro” do reitor João Grandino Rodas, contra o movimento estudantil. “Esses fatos ocorreram [repressão, truculência] devido à falta de espaços democráticos na universidade agravada pela atual gestão que não dialoga com os estudantes” , salientou.

O membro da CSP-Conlutas Luiz Carlos Prates, o Mancha, que esteve na USP nesta terça-feira, disse que a ação de desocupação da USP gerou revolta e indignação. “A brutalidade com que esses jovens foram tratados foi digna dos tempos do regime militar, repudiamos essa ação e por isso prestamos todo o nosso apoio. Exigimos ainda a retirada das tropas da PM do campus que mais do que nunca mostra a que veio e que todos os processos movidos contra os estudantes sejam retirados “, enfatizou.

Paralisações foram realizadas nesta quarta-feira (9) pelos estudantes dos cursos de Filosofia, Letras, História, Geografia, Ciências Sociais, entre outros, em repudio às prisões. Assembleias ocorreram durante todo dia para organização do ato desta quinta-feira.

Reivindicações
Os estudantes têm como principais eixos de reivindicação a retirada de todos os processos movidos contra estudantes por motivos políticos; fora PM, pelo fim do convênio da USP com a Secretaria de Segurança Pública; liberdade aos presos e nenhuma punição administrativa ou criminal; fora Rodas; outro projeto de segurança na USP. Além disso, pedem que a reitoria se responsabilize por um plano de iluminação no campus, por uma política preventiva de segurança, a abertura do campus à população para maior circulação de pessoas, a abertura de concurso público para outra guarda universitária, que tenha treinamento para prevenção dos problemas de segurança e com efetivo feminino para a segurança da mulher, por mais circulares e circular até o Metrô Butantã.

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