Ativistas protestam contra o racismo em frente a restaurante paulista

Segurança jogou um garoto etíope na rua no dia 30 de dezembro passadoNo último sábado, 7 de janeiro, um grupo de ativistas do movimento negro protestou em frente ao restaurante Nonno Paolo, na Zona Sul da capital paulista. O motivo foi o ato racista do restaurante contra um garoto etíope no dia 30 de dezembro. O menino, filho adotivo de um casal espanhol, foi pego pelo braço e jogado na rua enquanto seus pais se serviam. O caso está sendo investigado pela 36ª Delegacia de Polícia.

O evento foi organizado pelas redes sociais. O objetivo, além de exigir apuração e punição aos responsáveis pela discriminação ao garoto, era mostrar que o racismo ainda é uma realidade na sociedade brasileira. Os manifestantes, portando velas e cartazes gritaram palavras de ordem contra o racismo. Eles também fizeram um panelaço e receberam solidariedade de pessoas que passaram pelo local.

Wilson Silva, do Quilombo Raça e Classe, ligado à CSP-Conlutas, disse que “o movimento tem o propósito de mandar um recado para a sociedade”. “Estamos cansados de viver em um país onde ser negro é parecer marginal”, afirma. Assim como os outros ativistas que organizaram o protesto, ele defende que as manifestações continuem ao longo do ano e que atos semelhantes aconteçam cada vez que ações racistas aconteçam na cidade.

Para Wilson, as manifestações têm de alertar população sobre o racismo. “Estamos propondo transformar o dia 21 de março, que é o Dia Internacional de Combate ao Racismo, num grande ato em protesto a todos esses casos que têm se repetido em São Paulo”, sugere.

Já a estudante Carina Paola Cardenas, uma das organizadoras do protesto, ressaltou que o racismo é uma realidade. “Pretendemos mostrar às pessoas que o racismo existe. Não se consegue mudá-lo somente por leis. O que muda isso é a conscientização. Por isso, estamos estimulando o boicote aos estabelecimentos que tenham esse tipo de política de maltratar pessoas seja por causa da raça ou por questão social”, disse a estudante à Agência Brasil.

Apesar de a manifestação ter sido totalmente pacífica, segundo informação de ativistas, os donos do restaurante chamaram a polícia, que ficou rondando a manifestação. De acordo com a Agência Afropress, os policiais abordaram alguns participantes e exigiram identificação e queriam levá-los para a delegacia.

Entenda o caso
No dia 30 de dezembro de 2010, um casal de espanhóis foi ao Nonno Paolo, um restaurante de classe média da capital paulista, com seu filho de seis anos, adotado na Etiópia. Enquanto o casal se servia, o garoto aguardava na mesa. Quando os pais voltaram, o menino não estava mais no recinto. Ele foi encontrado a um quarteirão do local e chorando. O filho contou que foi pego pelo braço e jogado na rua pelo segurança do restaurante.

O racista negou o ocorrido e disse que foi um mal entendido. Na explicação, o gerente revelou a profundidade de seu racismo ao comparar a negritude à pobreza e à marginalidade. Segundo o sujeito, a confusão ocorreu porque havia uma feira na rua, e o garoto foi confundido com um menino de rua. Além disso, tentar justificar a agressão a uma criança com a desculpa de que ela se parecia com um menino de rua nada mais é do que uma posição completamente cruel e desumana.

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