Ativistas protestam contra estupros em Campinas

Cartaz em protesto contra estupros
Fernanda Sunega/Comun. Populares

Cerca de 700 pessoas participaram de passeata no bairro de Barão Geraldo, onde os crimes estão acontecendo com frequênciaA comunidade de Barão Geraldo, distrito de Campinas onde fica localizada a Unicamp, saiu às ruas no último dia 11 para dizer “Basta de Violência contra as Mulheres”. A manifestação é contra uma série de casos de estupros ocorridos no último mês na região. O movimento foi organizado principalmente pela comunidade universitária, mas também envolveu os moradores do distrito.

A resposta da polícia aos casos foi que “a situação estava sob controle” e que as “estatísticas estavam dentro da normalidade”, ou seja, tratam os estupros como parte da normalidade. Mas as mulheres que estão sofrendo esta violência não acham nada normal. Pelo contrário, elas estão aflitas com a violência sexual e não aceitam esta posição da polícia sobre o tema nem a omissão da reitoria da universidade e da prefeitura da cidade.

Como se não bastasse, as mulheres ainda têm de escutar que não podem sair às ruas com roupas “inadequadas” e em determinados horários. Tentam responsabilizar as mulheres, numa tentativa de atacarem ainda mais a sua autonomia. Por isso, muitos cartazes na passeata diziam: “não venha dizer que a culpada sou eu”.

O PSTU participou da organização da manifestação e denuncia os cortes no orçamento feitos pela presidente Dilma, que fazem com que não haja políticas específicas para as mulheres, como a construção de casas-abrigo e assistência às mulheres vítimas da violência. “Não basta ter uma mulher na Presidência da República se ela continuar servindo aos interesses dos ricos e capitalistas”, disse Lígia, estudante da Unicamp e militante do PSTU.

Vivemos numa sociedade machista que enquanto acha normal as mulheres serem vítimas da violência sexual, a mídia continua propagandeando piadas machistas e homofóbicas nos programas humorísticos como é o caso do Zorra Total e mesmo do CQC.

Também participaram do ato a CSP-Conlutas e a ANEL. O companheiro Carlos Caetano, professor e militante da Oposição Alternativa, falou em nome da CSP-Conlutas e denunciou a violência também cometida contra os homossexuais. A estudante secundarista Victoria Silva, representando a ANEL, lembrou a campanha pelos 10% do PIB para a educação e que, nas escolas públicas, a opressão às meninas ainda é maior.

  • Leia o panfleto distribuído pelo PSTU na passeata (.pdf)