Atentados: chegou a vez de Blair

Londres acordou ao som de bombas, na última quinta-feira, dia 7. Uma série de atentados atingiram estações do metrô e ônibus no centro da capital britânica, deixando 37 pessoas mortas e cerca de 700 feridas. A organização Al Qaeda, de Osama Bin Laden, reivindicou a autoria dos ataques, exigindo que a Inglaterra retire imediatamente suas tropas do Iraque e do Afeganistão. No comunicado em que reivindica os atentados, a Al Qaeda ameaça fazer atentados em outros países, em especial a Itália, se não retirar seus soldados do Iraque.

No final da tarde da sexta, dia 8, a Itália anunciou que iria retirar suas tropas, avisando que essa medida não tinha nada a ver com as ameaças da Al Qaeda. Difícil acreditar que não.

Veneno amargo

Primeiro foram os ataques de 11 de setembro de 2001, em Nova York e Washington. Depois as explosões nos trens de Madri, em março do ano passado, que deixaram cerca de 200 mortos, mas atingiram, sobretudo o governo espanhol. José Maria Aznar foi derrotado nas eleições, alvo do ódio da população, e José Luís Zapatero, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), teve de prometer a retirada das tropas espanholas do Iraque, o que acabou fazendo quando assumiu o governo.

Agora chegou a vez de Tony Blair, o mais aguerrido defensor de Bush e da invasão do Iraque pelo imperialismo.

Como dissemos por ocasião dos dois atentados anteriores, nos EUA e na Espanha, agora o governo da Inglaterra prova de seu próprio veneno. Tony Blair e George Bush disseram que “os terroristas sanguinários estão matando inocentes”. Mas esqueceram de dizer que quem primeiro atacou foram os marines, armados até os dentes. Invadiram o Afeganistão e o Iraque e jamais perguntaram às suas vítimas se elas são inocentes antes de descarregar sobre seu corpo suas bombas e rajadas de metralhadoras. Nunca se preocuparam com inocentes ou culpados antes de enfiar as botas nas portas das casas, entrar atirando e matar famílias inteiras, inclusive bebês e crianças.

Agora, as bombas explodiram nos trens do metrô, atingindo civis inocentes em Londres. São os civis inocentes que estão pagando o preço da política assassina de seus governos imperialistas, que não medem esforços ou têm qualquer tipo de ética quando invadem os países em nome de uma suposta e mentirosa “defesa dos direitos humanos”.

O caminho é acirrar a resistência

Os ataques em Londres ocorreram no mesmo momento em que, na Escócia, começava uma nova reunião do G8, o grupo dos sete países mais ricos do mundo, e a Rússia. Os grandes imperialistas se preparavam para discutir seus planos de como continuar dominando o mundo e recolonizando os países oprimidos, sem que o rastro de pobreza que deixam pelo caminho atrapalhe seus planos.

As bombas em Londres foram uma resposta a isso. Apesar de apoiáramos totalmente os iraquianos e afegãos na luta pela expulsão do imperialismo de seu território, não defendemos os atentados, que só atingem pessoas inocentes – as explosões vitimaram essencialmente trabalhadores que estavam indo para seus trabalhos – e pode fazer com que a opinião pública dos países atingidos se coloque contra a sua justa causa.

Além disso, ações individuais como essa tentam substituir a ação dos movimentos de massa que lutam contra a guerra e contra a globalização. Para nós a luta contra os planos imperialistas se dá no terreno da luta de massas, com as organizações da classe trabalhadora.

O caminho da vitória é o que a resistência dentro do Iraque e do Afeganistão estão mostrando, envolvendo toda a população na luta por expulsar os invasores. Só essa luta, que é dura e tenaz, poderá angariar o apoio e a solidariedade de todos os povos do mundo que, como os trabalhadores e jovens iraquianos e afegãos, também são vítimas da opressão e exploração imperialistas.