As eleições terminaram. E agora?


Renovar a esperança apenas nas lutas!

As eleições presidenciais mais imprevisíveis desde a redemocratização do país terminaram. Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, ganhou o 2º turno com 51,64% dos votos válidos, contra os 48,36% de seu adversário Aécio Neves, do PSDB.

Foi uma disputa acirrada, que polarizou a sociedade brasileira, mobilizando milhões de pessoas em defesa de ambas as candidaturas. Uma parcela da juventude e a maioria dos ativistas se engajaram na campanha da presidenta Dilma.

A vontade de impedir que o PSDB retornasse à presidência da república contagiou estudantes e jovens trabalhadores. Nas últimas semanas, acompanhamos grandes atos de apoio ao PT e contra o retrocesso em diversas universidades públicas e privadas.

Neste momento, muitos se sentem vitoriosos e comemoram a derrota da direita. Mas, o próximo mandato de Dilma vai corresponder às expectativas da juventude?

Existe uma onda conservadora em nosso país?
Nós acreditamos que o fortalecimento da direita não é resultado de um retrocesso político da sociedade brasileira. É, na verdade, produto de uma enorme confusão política.

Os baixos salários, a inflação, o aumento do desemprego em setores fundamentais da indústria e o endividamento das famílias terminaram com a sensação de “bem estar” do povo brasileiro. As jornadas de junho de 2013 marcaram uma explosão social de indignações e insatisfações com o caos dos serviços públicos, a segregação urbana, a corrupção e os empregos precários.

Existe uma bronca generalizada com a piora das condições de vida. Esse movimento totalmente progressivo se esbarra em uma crise enorme de representatividade. A imensa maioria dos trabalhadores e jovens que votaram no PSDB não aderiu ao seu programa neoliberal. A ampliação dos votos da direita tradicional não é expressão, portanto, de uma onda conservadora.

Aécio Neves conseguiu capitalizar, contraditoriamente, uma parte do sentimento de mudança que atravessou o processo eleitoral. Os eleitores xenófobos, que odeiam os pobres, negros e nordestinos, caricaturas da direita mais raivosa, são uma extrema minoria do eleitorado nacional.

O PT pode derrotar a direita?
No entanto, o pior é que não cresce apenas a direita oposicionista, o PSDB e o DEM. Mas se fortalecem, principalmente, os partidos conservadores que são da base aliada do PT no Congresso Nacional, representados por Sarney, Collor, Bolsonaro e muitos outros reacionários. Um novo acordo deve garantir o PMDB nas presidências da Câmara Federal e do Senado.

O PT não pode combater a direita, porque, infelizmente, uniu-se a ela para governar o Brasil. Os doze anos de Lula e Dilma no poder demonstraram sua opção em se aliar com os bancos, o agronegócio e as empreiteiras, os maiores financiadores de suas campanhas eleitorais.

Os compromissos do PT com a direita tradicional impediram a criminalização da LGBTfobia, a legalização da maconha, a descriminalização do aborto, a desmilitarização da PM e o alargamento significativo dos investimentos públicos em educação, transporte, saúde e moradia.

O próprio PT aplicou medidas antipopulares, que só beneficiaram as elites, o capital financeiro e as multinacionais. As isenções fiscais concedidas ao grande empresariado e as privatizações das estradas, portos, aeroportos e da extração do pré-sal são os maiores exemplos.

O primeiro governo Dilma fez avançar, também, a criminalização dos movimentos sociais e a repressão aos protestos, como vimos durante a Copa do Mundo FIFA. A política externa do PT, por sua vez, é marcada pelos acordos comerciais com o Estado de Israel, a ocupação militar do Haiti e a opressão econômica sobre países da América Latina e da África.

Depois de reeleita, as declarações de Dilma confirmaram que os próximos quatro anos não serão diferentes. A presidenta já apontou a vontade de renovar o pacto com o mercado financeiro internacional e os bancos privados. Nada indica uma guinada à esquerda do novo governo petista.

Seguir na luta por um novo futuro!
Por tudo isso que expulsemos acima, nós da juventude do PSTU defendemos o voto nulo no 2º turno. Não acreditarmos que o PT possa derrotar a direita, nem promover as mudanças políticas e sociais que a juventude deseja e necessita.

Respeitamos aqueles que votaram no PT com medo da volta da direita ao poder. Porém, em nossa opinião, votar em Dilma foi depositar nova confiança na aliança do PT com os ricos, corruptos e reacionários. Queremos, ao contrário, renovar a esperanças nas ruas e greves.

É preciso confiar em nossas próprias forças e retomar o caminho das lutas e da organização independente das entidades estudantis, dos sindicatos e dos movimentos populares. A juventude e os trabalhadores podem mudar o Brasil!