As crises políticas que fizeram história

A “sarneyzação” de um governo
A atual situação do governo fez com que vários analistas políticos voltassem a utilizar um termo que se transformou em sinônimo para governos que são acometidos por uma quase total paralisia e um considerável esvaziamento político, em decorrência de crises profundas e incontornáveis: a “sarneyzação”.
O termo remete-se à situação que se instaurou no governo de José Sarney, do final de 1986 à eleição de 1989.
Foram mais de dois anos de quase total descontrole. Decretos presidenciais viravam letra-morta antes mesmo de serem promulgados, a base aliada se desfez em uma sucessão de debandadas e uma série de planos econômicos fracassados elevou a inflação, em 1988, a 933%. O governo foi gradativamente perdendo seu poder, até chegar às eleições.

Collor: impeachment de um presidente
A crise política que levaria ao impeachment de Collor começou em maio de 1992, quando a revista Veja publica uma entrevista com Pedro Collor, irmão do presidente, onde revela detalhes do “esquema PC Farias”, amigo e tesoureiro de Collor. Em seguida, a Câmara instala uma CPI para investigar as denúncias contra PC. Minimizando as denúncias de corrupção, Collor convoca a população a apoiá-lo saindo às ruas vestida de verde e amarelo, no dia 16 de agosto. Milhões saem às ruas espontaneamente – a revelia do PT e da CUT, diga-se de passagem –, mas ao contrário do que Collor esperava, a população está de vestida de luto contra a corrupção. A partir daí, centenas de milhares de estudantes tomam as cidades de todo país em gigantescas passeatas de protestos exigindo o Fora Collor. Com os protestos, a CPI avança e conclui que, em dois anos e meio de governo, Collor recebeu pelo menos US$ 10,6 milhões só para o custeio de despesas pessoais. Sob pressão popular, o Congresso vota o impeachment do presidente. Lula e dirigentes do PT vão à imprensa e defendem a “posse constitucional” do vice, Itamar.

FHC: salvo da crise pelo PT e pela CUT
No rastro da crise econômica mundial, que tinha detonado as economias do México (1994), tigres asiáticos e Rússia (1997), o plano real entra em colapso no fim de 1998, mas a crise ganha força em 1999. O naufrágio do real chegou pouco depois das eleições presidenciais, por isso, fhc consegue ainda se reeleger. A crise põe fim à paridade artificial dólar/real e ameaçava explodir o conjunto da economia. Para piorar, estouram escândalos de corrupção envolvendo cobrança de propinas nas privatizações das estatais. A grave crise política colocou para o movimento de massas a luta pelo fora fhc. Em agosto, realiza-se a “marcha dos cem mil” em Brasília, que exige o fora FHC e FMI. Depois dessa manifestação, abriu-se a possibilidade de organizar uma greve geral e derrubar o governo. Entretanto, o PT e a CUT – contrários ao Fora FHC – travam as lutas para canalizar tudo para as eleições de 2002. Assim o governo do PSDB consegue sair da crise e chegar ao fim de seu mandato.

Post author Jeferson Choma e Wilson H. Silva, da redação
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