Arrocho dos salários nos seis meses de governo Lula

A renda do trabalhador brasileiro desabou nos seis primeiros meses do governo de Luís Inácio Lula da Silva. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), só no mês de maio houve uma queda de 14,7% na renda do trabalhador comparada ao mesmo período do ano passado.

De maio de 2002 a maio deste ano, a renda média do brasileiro diminuiu quase R$ 150: caiu de R$ 985 para R$ 841.

Na Grande São Paulo, o rendimento médio do trabalhador apresenta o valor mais baixo desde 1985. De acordo com pesquisa do Dieese, na comparação com os últimos 18 anos, a queda média chega a 50%. Em abril de 1985, o rendimento médio era de R$ 1.682 (em valores de 2003 corrigidos pelo ICV/Dieese), contra R$ 889 em abril deste ano.
A política econômica do governo Lula estimula também o crescimento do trabalho sem carteira assinada. Houve um aumento de 6,9% em maio de 2003, comparado ao mesmo período do ano passado.

A inflação acumulada nos últimos 12 meses também influenciou negativamente no bolso do trabalhador. De novembro de 2002 a abril de 2003, a inflação subiu mais de 10%.

Reajuste zero

Vendo seu salário valer cada vez menos, enquanto os preços do gás de cozinha, luz elétrica, telefone e gasolina aumentavam de forma galopante, os metalúrgicos e os químicos realizaram entre os meses de abril e maio uma campanha salarial de emergência (fora da data-base) para lutar contra o arrocho salarial. Mas o governo Lula investiu pesado para tentar desmobilizar o movimento e manter sua política de reajuste zero nos salários.

Na GM de São José dos Campos, para impedir o gatilho salarial, o governo chegou até a mandar o secretário de Relações Trabalhistas, Osvaldo Bargas, para interceder na greve.

Os trabalhadores da unidade Itajubá (MG) da IMBEL (Indústria de Material Bélico do Brasil), vinculada ao Ministério da Defesa, fizeram uma greve de 40 dias. Foi uma luta duríssima, já que a empresa negou-se a conversar com os trabalhadores alegando que não tinha autorização do Ministério.

Post author Jocilene Chagas,
de São José dos Campos (SP)
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