Armas, canhões… Luta!

Estréia “Os Sertões – A Luta – parte um“, quarta parte da adaptação teatral do livro de Euclides da CunhaDesde o dia 30 de abril, o lendário Teatro Oficina está em guerra. Não se trata da luta contra os militares da ditadura que, em 1968, prenderam parte do elenco que interpretava “Roda-Viva“, de Chico Buarque, dirigida por José Celso Martinez Corrêa. A luta agora é outra! Na peça “Os Sertões – A Luta (primeira parte)“, o confronto é travado entre o exército brasileiro da República Velha e os jagunços e sertanejos do arraial de Canudos, comandados por Antônio Conselheiro.

`cenaDirigida por José Celso Martinez Corrêa e interpretada pelos atores do grupo Uzyna Uzona, “Os Sertões – A Luta (primeira parte)“ é a quarta seqüência da adaptação teatral do livro homônimo de Euclides da Cunha (interpretado por Marcelo Drummond). Antes, “Os Sertões – A Terra“, “Os Sertões – Homem 1: Do Pré-Homem à Revolta“ e “Os Sertões – Homem 2: da Revolta ao Trans-Homem“ foram encenados.

O combate
“A Luta – parte um“ mostra como foram as três primeiras expedições militares – do Tenente Manuel da Silva Pires Ferreira (Freddy Alan), do Major Febrônio de Brito (Adão Filho) e do Coronel Moreira César (Ricardo Bittencourt) respectivamente – contra o Arraial de Canudos. As três fracassaram e a peça revela quais foram as táticas usadas pelos sertanejos, como a natureza do sertão nordestino, para se defenderem.

Além da referência história – “A Luta“ é a mais didática das adaptações de “Os Sertões“ do Oficina -, há uma série de críticas a ícones atuais. Não escapam o Papa Bento XVI, a Secretário de Estado dos Estados Unidos Condoleeza Rice e a governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Garotinho – que na peça recebe o nome de Marli Rocinha (interpretada por Sylvia Prado).

Indiretamente, a peça revela a luta travada entre o Teatro Oficina e o Grupo Silvio Santos – que já quis comprar o terreno do teatro para a construção de um shopping center. No dia 18 de abril de 2004, houve um encontro de Zé Celso com Silvio Santos, onde ele entregou ao dono do SBT o projeto do teatro de estádio, almejado pelo Oficina para o local. Desde então, porém, não houve mais nenhum encontro.

Prepare-se para a guerra
São mais de cinco horas de luta, interrompidas por um intervalo de 20 minutos. Não há descanso suficiente, inclusive para os olhos atentos do público que acompanha de perto os acontecimentos no teatro de rua do Oficina. Divididos em duas arquibancadas – uma de frente para a outra -, o público também se torna ator e agente ativo da luta entre exército e jagunços.

É constante a participação do público, seja nos momentos em que as personagens celebram as festas no arraial de Canudos, seja nos momentos de combate, no qual a platéia se torna também um militar. Fiel e acostumado com essa intervenção cênica do teatro comandado por Zé Celso, o público entra no clima da peça e interage com os atores. Na verdade, ocorre uma fusão. Como escreve Zé Celso, “nesta quarta peça vinda de Os Sertões, me inspirei sobretudo na direção de ator inspiradora, geradora (…), religando a comunicação direta com o público à dimensão do encontro afetivo do ator- público- espaço- mar interior“.

“Os Sertões – A Luta – parte um“
De 30 de abril a 26 de junho, aos sábados e domingos às 18 horas
Elenco: grupo Uzyna Uzona (Ricardo Bittencourt, Freddy Alan, Anna Guilhermina, Sylvia Prado, Camila Mota, entre outros)
Local: Teatro Oficina
Rua Jaceguai, 520 – Bela Vista – São Paulo. Tel: 3106 2818
Ingressos: R$ 30,00