Aracaju: Desabrigados acampam em frente à prefeitura

Famílias desabrigadas

Famílias atingidas pelas chuvas ainda são reprimidas pela prefeitura do PCdoB“O número do meu barraco era 345, hoje eu estou desabrigada, estou sem moradia. Hoje eu moro da frente da prefeitura” . Essa é a situação de Noêmia Vieira, 43 anos, e mais de 200 famílias que estão acampadas em frente à sede da Prefeitura Municipal de Aracaju. São pessoas que residiam na ocupação Água Fina, no bairro Santa Maria.

A chuva que caiu na terça-feira, 24, inundou as casas dos moradores da ocupação. Sem ter para onde ir, buscaram abrigo nas escolas públicas do bairro. A prefeitura, com uso da força policial, retirou os desabrigados das escolas e derrubou todos os barracos da ocupação. Muitos não conseguiram retirar seus objetos pessoais.

“A única solução que encontramos foi acampar em frente à prefeitura. Não tenho onde ficar. A prefeitura disse que deveríamos procurar casas de parentes e amigos. A casa dos amigos é aqui, não vamos sair daqui até conseguir um lugar para morar” , disse Késia Oliveira, 23 anos.

Os desabrigados reclamam da forma como estão sendo tratados pela prefeitura. O secretário municipal de Assistência Social e Cidadania (Semasc), Bosco Rolemberg, disse que ia resolver a situação dos moradores da ocupação. Porém, no outro dia chegou com a polícia e funcionários da empresa Torre para derrubar todos os barracos.

“Eles ia perguntando o nosso nome, anotavam em um pedaço de papel e mandava derrubar. Não conversaram com a gente, não deram tempo para retirar as nossas coisas, perdemos tudo. Depois expulsaram a gente das escolas. Não temos para onde ir. Estamos exigindo casas, pois o barraco que tínhamos a prefeitura derrubou“, desabafou Noêmia Vieira.

Ministério Público
Na manhã da sexta-feira, 27, uma comissão formada por desabrigados, representante da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), CSP- Conlutas, PSTU e o vereador Nitinho (DEM) fez denuncia junto ao Ministério Público Estadual.

“Procuramos o Ministério Público porque é inadmissível o que está sendo feito com os desabrigados do bairro Santa Maria. Conseguimos uma audiência para terça-feira, 31. Até lá continua o acampamento em frente à Prefeitura” , afirmou Vera Lúcia, presidente estadual do PSTU.

O Ministério Público Estadual acatou a denúncia feita pela comissão e foi marcada uma audiência para o dia 31, terça-feira. O vereador Nitinho (DEM) está articulando uma audiência pública na Câmara dos Vereadores de Aracaju.

Solidariedade
Os desabrigados denunciam que a prefeitura mandou recolher seus objetos no acampamento. “O secretário disse que ninguém ficaria nas escolas, muito menos em frente da Prefeitura. Quando olhamos tinha uns homens colocando nossas coisas sem um caminhão. Eles levaram cama, fogão, roupas. Não sabemos para onde. Não vamos sair daqui, não temos para onde ir. Não estamos aqui por prazer. Quem gosta de dormir no chão, na rua, ficar com fome. Ninguém né. Estamos aqui por necessidade“, disse Noêmia Vieira.

A chuva desabrigou um total de 800 famílias em Aracaju. A maioria das famílias desabrigadas está no bairro Santa Maria. A política de habitação do prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB) revela simplesmente que seu governo não tem nada de comunista. Humilha e criminaliza os pobres da mesma forma que os velhos oligarcas. “Quando é tempo de eleição eles entram na nossa casa, comem da nossa comida, bebem água em copo de plástico e depois somem. Quando aparecem é com a polícia para derrubar nossos barracos. Se fosse ano eleitoral eles não faziam isso que estão fazendo com a gente. Mas a gente vai dar o troco” , desabafou uma senhora em reunião antes de ser expulsa de uma escola pública estadual.

Os vizinhos à Prefeitura estão sendo solidários aos desabrigados. “Temos recebido comida, roupa, lençol, brinquedos para as crianças. Se não fosse essa ajuda, as coisas estariam pior” , disse Késia Oliveira. Na segunda-feira, 30, o Sindicato dos Petroleiros estará realizando uma campanha com os trabalhadores da Petrobrás para arrecadar alimentos e roupas, garantiu Edivaldo Leandro, diretor da entidade sindical que estava em frente à PMA apoiando a luta dos moradores do bairro Santa Maria.