Arábia Saudita invade Bahrein para conter protestos

Longe de ser um alívio para os interesses imperialistas de países europeus e dos EUA, o novo momento da revolução árabe é ainda mais preocupante. É nos países do Golfo que se encontram as maiores reservas de petróleo e os países mais dedicados à sustentação da matriz do petróleo. A invasão saudita no Bahrein marca um novo momento no qual o imperialismo se utiliza de seus agentes na região, como a ditadura da monarquia da Arábia Saudita para esmagar o levante revolucionário das massas.

O rei saudita resolveu enviar blindados e caminhões carregando mil soldados sauditas e 500 policiais dos Emirados para afogar em sangue o levante do Bahrein. A informação foi confirmada pelo ministro de Relações Exteriores dos Emirados, em coletiva de imprensa ao lado de Hillary Clinton.

A oposição ao rei bahreinita denunciou o deslocamento como “ocupação aberta do reino do Bahrein e uma conspiração contra o povo desarmado”, além de denunciar que mais tropas sauditas já se encontravam no país. O Bahrein é uma pequena ilha e também a sede da Quinta Frota norte-americana, cujos objetivos são a proteção dos cargueiros que transitam por ali, o que inclui os do Iraque e Kuwait, e a dissuasão militar do Irã.

Concentrado na praça Pérola, onde instalou barricadas e tendas à maneira da Praça Tahrir do Egito, o movimento bahreinita também vem espalhando atos pela capital. Manifestantes fecharam as ruas que dão acesso ao distrito financeiro e fizeram diversas passeatas na principal universidade. A direção do movimento é dividida entre os republicanos e os que defendem uma monarquia constitucional mas, conforme a repressão do governo se aprofunda e as vítimas fatais vão se acumulando, a reivindicação da liquidação da monarquia parece ser a única via possível.

No Iêmen, repressão não detém protestos dos rebeldes
No Iêmen, o país mais pobre do Golfo e cuja ditadura apoiava-se em dinheiro americano, tentativas de concessão do governo esbarram no mesmo fator: o número de mártires. O país sofre com taxas de desemprego que chegam a 35%, e 42% da população está abaixo da linha da pobreza.

Empregando gangues e violência policial, o ditador Ali Abdullah Saleh, no poder desde 1978, tem ficado cada vez mais isolado de sua base social, perdendo inclusive o apoio de tribos de áreas importantes onde estão as poucas reservas de petróleo iemenita.
A repressão sangrenta vitimou mais de 50 pessoas só no último dia 18. Mas a matança não desmoralizou os ativistas acampados na praça da Universidade de Sanaa que, ao contrário, continuaram recebendo reforços.

A continuidade dos protestos e a dura repressão forçaram uma ruptura dentro das forças armadas do país. No último dia 21, três generais, dezenas de oficiais, trinta deputados do partido de Saleh, embaixadores iemenitas e o governador de Aden, a segunda maior cidade do país, declararam seu apoio à rebelião.

Enquanto isso, uma multidão se reunia no centro da capital Sanaa, desafiando a proibição de se manifestar. Sob tamanha pressão da miséria e da opressão policial, o apoio à revolta da população iemenita só poderia aumentar. Ao que tudo indica, o regime do ditador Abdullah Saleh está chegando ao fim da linha.

*Luiz Gustavo esteve no Egito durante a revolução que derrubou Mubarak, como enviado especial do Opinião Socialista, o jornal do PSTU

Post author Luiz Gustavo Porfirio, de São Paulo (SP)*
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