Após repressão, ato em solidariedade à greve dos metroviários reúne mil em SP


Tropa de Choque ataca grevistas com bombas de gás; metroviários avisam que não aceitarão nenhuma demissão

Essa segunda-feira começou com mais uma demonstração do autoritarismo do governo de Geraldo Alckmin (PSDB). Mal passava das 6h quando a Tropa de Choque da Polícia Militar reprimiu com violência um piquete de metroviários, investindo com bombas de gás e golpes de cassetetes contra os trabalhadores em greve e apoiadores do movimento na estação do metrô Ana Rosa. Os funcionários do Metrô ficaram cercados pela Tropa de Choque e 13 trabalhadores foram detidos. Todo o entorno da estação foi completamente militarizado, com homens da Tropa de Choque e o destacamento especial com a armadura apelidada de “Robocop”, elaborada para a Copa do Mundo.

Após a repressão, porém, os metroviários e ativistas que prestavam solidariedade à greve se reorganizaram e garantiram o ato público que estava marcado para as 7h. Metroviários e estudantes da ANEL, Juntos!, além de movimentos como o MPL, saíram em passeata da estação Ana Rosa em direção à Praça da Sé, centro da cidade. Com faixas e cartazes em apoio à greve e contra o autoritarismo de Alckmin, os manifestantes cantavam palavras-de-ordem como: “Abusivo é o governador, a greve é justa, é greve de trabalhador“, em referência ao governo Alckmin e o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) que, na manhã desse domingo, considerou a greve “abusiva” e impôs multa de R$ 500 mil ao sindicato.

A passeata chegou a contar com aproximadamente 300 pessoas e, na Praça da Sé, se juntou aos ativistas do MTST e às centrais sindicais como a UGT. Sem-tetos da ocupação Copa do Povo, de Itaquera, engrossaram a manifestação. O protesto, contando agora com cerca de mil pessoas, percorreu as ruas do centro em direção à sede da Secretaria dos Transportes, na Rua Boa Vista, onde um forte aparato repressivo o aguardava. Na concentração final, chuvas de papel picado caía dos prédios próximos, demonstrando apoio à mobilização.

O protesto terminou de forma emocionante, com metroviários e apoiadores dando as mãos em sinal de união e solidariedade.

Demissões e agressão policial
No início da manhã, a imprensa começou a repercutir o anúncio de 60 demissões de metroviários por parte do governo paulista. Eles teriam recebido telegramas anunciando o desligamento da empresa por participarem da paralisação, num claro desrespeito ao direito de greve. “Não vamos aceitar nenhuma demissão, entramos juntos e continuaremos juntos nessa luta“, declarou Altino Prazeres, presidente do Sindicato dos Metroviários e militante do PSTU.

Enquanto a manifestação em apoio à greve dos metroviários percorria as vias do centro, em frente à Secretaria de Segurança, a polícia prendeu um estudante que tentava se acorrentar à portaria, em protesto contra a truculência e autoritarismo do governo paulista. Murilo Magalhães, estudante da PUC-SP e ativista da ANEL, foi preso e agredido pela polícia. Ele foi encaminhado a uma sala onde foi espancado e torturado, obrigado a ficar nu e humilhado. Enquanto fechávamos essa matéria, o estudante permanecia detido e, segundo advogados que acompanhavam o caso, apresentava ferimentos no rosto.

No início da tarde, o governo chamou uma reunião de negociação com os metroviários e as centrais sindicais a partir das 15h. Nova assembleia ocorre às 17h, na sede do sindicato.

Solidariedade
A greve dos metroviários chega já ao seu 5 dia e enfrenta o autoritarismo do governo paulista, a truculência de uma Justiça subserviente e a campanha massiva da imprensa, que tenta jogar a população contra o movimento. No entanto, a mobilização vem conquistando apoio de diversas categorias de todo o país e da população. Até mesmo mensagens de apoio de outros países em solidariedade aos trabalhadores vêm chegando todos os dias. O governo Alckmin, por sua vez, já demonstrou sua intenção de derrotar a greve, custe o que custar. Como afirmou interlocutores do governo à imprensa, ele não quer “abrir um precedente” para que outras categorias também façam greve.

Essa greve, assim, não é apenas uma luta por reajuste salarial, mas se tornou a principal greve do país. Além de o mundo estar com os olhos em seu desenrolar, seus desdobramentos terão impacto no futuro de outras categorias. Está em jogo o direito de greve, a liberdade de organização sindical e de manifestação. É preciso garantir toda a solidariedade ativa à grevfe dos metroviários.

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