Após pressão, MP dos aposentados chega ao Senado

Aposentados acompanham sessão no Senado
Ag. Senado

Zé Maria, pré-candidato do PSTU à Presidência, participa de protesto pelo fim do fator previdenciário e reajuste nas aposentadoriasNa noite desse 11 de maio, a Medida Provisória que estabelece o reajuste de 7,7% às aposentadorias acima de um salário mínimo e o fim do fator previdenciário chegou finalmente ao Senado. Ela havia sido aprovada no último dia 4 na Câmara e estava sendo retida pelo governo como uma estratégia para segurar a sua votação no Congresso.

A pressão dos aposentados e da Cobap (Confederação Brasileira dos Aposentados), com o apoio da Conlutas, porém, forçaram o seu envio ao Senado. Durante todo o dia 11, os aposentados vindos de caravanas de diversas partes do país lotaram a galeria do Senado reivindicando a aprovação da MP. Como havia cerca de 150 aposentados, e a galeria do Senado comporta somente 100, os manifestantes se revezaram para garantir a pressão em cima dos parlamentares durante todo o dia.

Luiz Carlos Prates, o Mancha, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (SP) e da Executiva da Conlutas, relata o clima da manifestação que forçou a tramitação da medida no Senado: ” uma comissão de senadores se dirigiu até a Câmara de Deputados para cobrar que a MP fosse ao Senado; no plenário, os aposentados rompendo o protocolo começam a se manifestar e o tema toma conta da sessão”.

Diante da mobilização, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB), afirmou que a Câmara havia se comprometido a enviar a MP “entre hoje e amanhã”, dizendo aos aposentados para irem embora. Ainda segundo Mancha, os aposentados, porém, mesmo com a maioria dos senadores se retirando do local, se negaram a deixar a galeria do Senado, permanecendo em vigília até que a Medida chegasse realmente e fosse lida no plenário, o que foi ocorrer somente às 22h15.

“Mais uma vez as galerias explodiram aos gritos de ‘aposentados unidos jamais serão vencidos´”, relata Mancha. “De mãos dadas e rostos cansados, os aposentados se retiram prometendo novas mobilizações”, afirma. Segundo o dirigente, apesar da importância da mobilização, ausências importantes foram sentidas, como a da CUT, Força Sindical e até da CTB.

Apesar de os senadores terem prometido que o tema teria prioridade na pauta de votações da Casa, declarações dadas por alguns parlamentares à imprensa dão conta que o assunto só será votado no final de maio.

Mobilização para garantir o reajuste e o fim do fator
A aprovação da alteração da MP 475/09 na Câmara no dia 4, que garantiu o reajuste de 7,7% e o fim do fator previdenciário, foi uma dura derrota do governo e uma vitória, ainda que parcial, dos aposentados. O governo, porém, está empreendendo todos os esforços para anular essas conquistas. A tática está em alterar o projeto no Senado, forçando a que volte à Câmara, ou até mesmo forçar que o tempo de validade da MP expire antes que ela seja votada.

A pressão agora é para que os senadores aprovem o texto assim como veio da Câmara. Vencido essa etapa, a mobilização terá que se voltar ao Planalto, para impedir que Lula cumpra sua ameaça e vete o reajuste e o fim do fator previdenciário. A Conlutas confeccionou com a Cobap um adesivo e um cartaz com as reivindicações dos aposentados.

“Mais uma vez os aposentados estão de parabéns, agora é ampliar essa mobilização para garantir o reajuste e o fim definitivo do fator previdenciário”, afirma Zé Maria, pré-candidato do PSTU à presidência que acompanhou a mobilização dos aposentados no Senado.

Tal luta, porém, não se restringe aos aposentados. “É preciso fazer como os trabalhadores da GM de São José dos Campos, que votaram em uma grande assembleia uma campanha pelo fim do fator previdenciário e prometeram fazer novas mobilizações”, afirma Mancha, que também coloca a necessidade de unificar essa luta com o funcionalismo e todos os setores em greve.

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