Após oito dias de greve, rodoviários do Amapá arrancam redução da jornada

O dia 1º de junho é uma data que sem dúvida vai ficar para a história de luta dos trabalhadores rodoviários. Neste dia, motoristas, cobradores, mecânicos, além de vigilantes, professores e dirigentes da Conlutas, conseguiram superar a contra-ofensiva dos patrões e impuseram um acordo que põem fim à dupla jornada que estava submetendo à barbárie o conjunto dos trabalhadores da categoria. “Foi duro reverter a situação de intimidações que os patrões da empresa União Macapá realizaram desde o dia 25” – primeiro dia da greve – comentou um motorista da empresa Capital Morena que, junto com outros do comando de greve, consolidaram uma verdadeira blindagem operária à mobilização dos trabalhadores.

O interdito dos patrões foi revertido em sentimento de unidade e luta
“Lutamos contra tudo nessa greve: primeiro foi o pedido de abusividade feito pelos patrões e que foi negado pela Justiça do Trabalho; depois as ameaças dos capangas pagos pela patronal lá na praça e na porta das garagens, as mentiras nas notas do SETAP e de alguns jornais pagos pelos empresários e, finalmente, a autorização dada pelo juiz para que na União Macapá não pare os carros que saíssem para viagem; acontece que não queríamos trabalhar, mas o encarregado de lá mandava e dizia que se não fossemos era rua na certa!” falou uma cobradora da empresa ao final da negociação.

Os patrões estão ainda confusos diante do poder de resistência de nossa categoria. Nunca tínhamos realizado algo semelhante e o ganho de 13% com o índice da inflação e a redução da jornada, além do abono dos dias parados e mais 20 dias de estabilidade terá um gosto amargo para eles por bastante tempo!

Orgulho de ser rodoviário e de lutar
Foram dois anos amargando um duro ataque com demissões sumárias, cobrança de peças, assédio de todas as formas e vista grossa da Justiça do Trabalho e DRT. A imposição dos micro-ônibus foi o golpe final, afinal reduzia salários e o motorista realizaria duas funções. Isso representaria demissões de mais de cinqüenta cobradores e, conseqüentemente, diminuição dos encargos para os empresários que inclusive proporam na mesa de negociação que o sindicato legalizasse isso com a criação do tal operador de veículos leves, nessa Convenção Coletiva, o que foi rechaçado na hora!

Os rodoviários do estado estão retomando o caminho das lutas e ainda tem o plano de saúde, do qual não abrimos mão. Os empresários que se cuidem porque apenas começamos!

*Sindicato dos Condutores de Veículos e Trabalhadores em Empresas Transportes Rodoviários de Passageiros do Amapá