Apesar dos ataques, grevistas fazem manifestações em Brasília

Fernando Haddad, ministro da Educação, rompeu negociações e ataca direito de greve nas universidades
Agência Brasil

Conlutas e Conlute estão à frente das mobilizações contra o governo Lula e o desmonte da EducaçãoA greve dos docentes e funcionários das universidades federais ultrapassa seu terceiro mês sob fogo cerrado do governo e da imprensa burguesa. Não conseguindo impor a derrota ao movimento grevista, o governo Lula vem utilizando a imprensa para atacar de todas as formas a mobilização.

Os ataques do governo se intensificaram quando o MEC encerrou unilateralmente as negociações com os grevistas. No último dia 16 de novembro, o ministro da Educação, Fernando Haddad, rompeu as negociações e afirmou que encaminharia a proposta recusada em forma de projeto de Lei ao congresso. Para embasar seu ato de intransigência, o governo afirmou que a proposta havia sido aceita pelo Proifes (Fórum de Professores das Instituições de Ensino Superior), uma minúscula entidade formada pelo próprio governo e pela CUT para dividir a categoria e rachar a base do Andes.

O anúncio do rompimento com os grevistas ocorreu através de uma entrevista coletiva no MEC, de onde os jornalistas das entidades sindicais foram sumariamente expulsos. A proposta imposta pelo governo descarta qualquer reajuste aos professores, oferecendo apenas gratificação e “prêmios” por titulação. Ao mesmo tempo em que força o fim da paralisação impondo a continuidade da defasagem salarial e da precarização do ensino superior, o governo articula também o fim do direito de greve para os servidores das universidades, antecipando a reforma Sindical para o setor.

Panfleto governista
De acordo com o jornal O Globo do dia 21 de novembro, o presidente da Comissão de Educação da Câmara, Paulo Delgado (PT), vai propor a “regulamentação” do direito de greve para as universidades federais. O deputado petista culpa os professores pela greve que se arrasta há 90 dias e afirma que os docentes “abusam do direito de greve”. Aliás, o jornal da família Marinho é ponta de lança para os ataques instrumentalizados pelo governo contra o movimento.

Em outra matéria, o jornal utiliza um levantamento do próprio Andes, que mostra o grande número de greves no setor, para atacar os docentes. Ou seja, para o jornal a greve é culpa dos professores, não da precarização e sucateamento da universidade provocada por sucessivas gestões neoliberais. Em uma entrevista com Fernando Haddad, o ministro manda os escrúpulos às favas e chega a afirmar que as greves ocorrem por causa do “alto custo” dos alunos. Como alternativa, Haddad novamente contraria o mínimo bom senso e defende o aumento do número de estudantes sem a realização de novas contratações, alegando que as salas de aula estão vazias nos cursos superiores.

Semana de mobilizações
Diante dos duros ataques do governo, o movimento deve responder com mais mobilizações. Por iniciativa da Conlute e Conlutas, a semana do dia 21 a 25 de novembro será de intensa mobilização em Brasília. Técnicos-administrativos, docentes e estudantes em greve realizarão um acampamento na Esplanada, com um ato público no dia 23. Além do grupo “Vamos à Luta”, da Fasubra (Federação dos Sindicatos de Trabalhadores das Universidades Brasileiras), confirmaram presença o Sinasefe (Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica e Profissional) e o Comando Nacional de Greve dos Estudantes.

Além do reajuste salarial, os manifestantes exigirão mais verbas para a educação e a retirada do projeto de reforma Sindical do governo, e denunciarão a corrupção.

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