ANEL articula Manifesto do Movimento Estudantil Brasileiro de apoio ao Chile

Depois de sua viagem ao Chile, a ANEL está articulando um MANIFESTO em apoio à luta dos estudantes chilenos. Queremos coletar assinaturas de todo o movimento estudantil brasileiro para fortalecer a luta no Chile, que nesse momento enfrenta uma forte repressão das forças policiais do governo Piñera. Ao mesmo tempo, tem ganhado cada vez mais adesão da população e levado o governo a uma grave crise política.

A entidade está recolhendo assinaturas de centro acadêmicos, DCEs, grêmios e Executivas de Curso, que devem ser enviadas para o e-mail [email protected]

Segue abaixo o texto do Manifesto:

MANIFESTO DO MOVIMENTO ESTUDANTIL BRASILEIRO DE APOIO A LUTA DOS ESTUDANTES CHILENOS

As entidades abaixo-assinadas vêm por meio deste MANIFESTO declarar seu apoio irrestrito à luta dos estudantes chilenos, assim como um enorme repúdio à truculenta repressão realizada pelo governo de Sebastian Piñera.

A partir de maio deste ano, o movimento estudantil do Chile vem protagonizando as maiores mobilizações do país desde a época da ditadura, chegando a reunir até meio milhão de pessoas nas ruas. Sua reivindicação é a educação gratuita, num país que possui altos índices de privatização e cobrança de taxas nas universidades públicas. A cada 10 estudantes chilenos, 7 têm que estudar na rede privada, e aqueles que conseguem chegar no ensino público são reféns de altas taxas para se matricular, o que acaba por resultar num enorme número de endividados e de inadimplentes.

De acordo com pesquisas, a luta dos estudantes já conta com o apoio de cerca de 80% da população chilena. Já se incorporaram na luta pais e mães dos alunos, professores, trabalhadores da saúde, dos transportes, e também mineiros do Cobre, principal setor da economia do Chile. Ocupados na maioria dos colégios e universidades e promovendo gigantescas manifestações, os estudantes têm se utilizado de diversos métodos de luta com muita criatividade, inspirados pelas mobilizações no mundo árabe e na Europa.

Nos últimos protestos, o governo Piñera intensificou a repressão sobre o movimento estudantil. Utilizando-se de um decreto da ditadura de Pinochet, avançou as forças policiais contra os manifestantes, deixando centenas de feridos e quase mil presos políticos. Hoje, o governo vive uma grave crise política, chegando a seu pior índice de aprovação de cerca de 20% da população, mudança em 8 ministérios e muito desgaste.

O movimento estudantil brasileiro quer transmitir através desse Manifesto toda a solidariedade e força para que os estudantes e trabalhadores sigam a sua luta até o fim, além de exigir que o governo Piñera liberte imediatamente os presos políticos e pare com a repressão. A educação pública, gratuita e de qualidade é um direito de todos os chilenos, e não uma mercadoria. Estamos no Brasil comprometidos com essa luta e, por isso, damos todo o incentivo para que o movimento estudantil chileno siga e fortaleça seus protestos.

Assinam este MANIFESTO:
ANEL, Assembléia Geral dos Estudantes da UFPR, DCE UFRJ, DCE USP, DCE UFF, DCE-UEPA, DCE UNIFAP, DCE UFMS, DCE UEM, DCE UNESC, ENESSO, DA FAFICH-UFMG, DA FAFIL-FSA, CASS-UFRJ, CAMMA-UFRJ, CACO-UFRJ, CAELL-USP, CAHIS-USP, CEGE-USP, CAMMA-UFRJ, CABAM-UFRGS, DA ICB-UFMG, DA FACE-UFMG, DAENG-UFMG, CAPSI-UFMG, CACISO-UFBA, CACH-UNICAMP, CACETE-UNICAMP, CALing-UFSCAR, CA de Letras-UNESC, Coletivo “O novo pede passagem”-UFBA