Acordo ou rendição?

Recentemente, Hugo Chávez chamou as Farc a se renderem. Essa posição mostrou o caráter burguês de Chávez. Setores da burguesia e governos latino-americanos juntos com governos do imperialismo europeu, como a França, já vinham defendendo como saída uma “negociação humanitária” do conflito armado, pedindo uma rendição negociada das Farc. Chávez foi um dos principais impulsionadores dessa política, o que poderia significar não só a rendição, mas o assassinato posterior dos guerrilheiros.

Mas não há, tampouco, nenhuma condição de fazer um acordo desses com o governo Uribe. Se for certa a informação de que Ingrid foi libertada por um resgate militar, isso fortalece a política de Uribe de esmagar militarmente as Farc e enfraquece as tentativas de qualquer “acordo humanitário”.

O PSTU não tem acordo com os métodos e com o programa das Farc, embora defendamos guerrilheiros contra os ataques do governo Uribe. Essa posição completamente equivocada de Chávez vem em um momento em que as Farc estão muito enfraquecidas.

Na população colombiana existe muito rechaço aos métodos das Farc. Não só pela campanha feita pela direita e pelo governo, mas também porque os métodos da guerrilha são completamente alheios ao movimento de massas e ao movimento operário. O governo se aproveita dos seqüestros para dizer que a guerrilha mata gente, comete crimes contra a população. Isso marca a consciência da população.

Assim, o método da guerrilha acaba não ajudando a organização de um movimento operário independente. Por isso, defendemos que os trabalhadores construam uma saída independente do governo.

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