Acampamento Santo Dias: um balanço necessário!

No dia 19 de julho, cerca de 300 famílias do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) ocuparam um terreno de 200 mil metros quadrados da antiga fábrica da Volks Caminhões na região do ABC paulista. Chamados por um carro de som, desempregados, mães de família que não tinham como sustentar seus filhos, pessoas idosas com seus netos, portadores de deficiência física, moradores de rua e aqueles que viviam em casa de parentes – famílias inteiras sem perspectiva de moradia – formaram um grande acampamento.

Foram 20 dias de intensa mobilização e batalha jurídica para garantir o direito à moradia. Ao final, o acampamento Santo Dias já tinha 3.500 pessoas cadastradas, segundo dados da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano de São Paulo).

Alckmin preparou uma operação de guerra para desocupar

Dia 9 de agosto, à meia noite, a tropa de choque foi “fazer cumprir” a liminar de reintegração de posse dada à Volks. A avenida de acesso ao acampamento foi fechada por barreiras da polícia. Mais de mil homens fortemente armados, com atiradores de elite, cavalaria, cães, Tropa de Choque com todo tipo de bombas e armamento pesado e helicóptero sobrevoando a área, compuseram o mega dispositivo de guerra.
Os sem-teto, orientados por sua direção, saíram sem resistência. Alguns caminhões que os transportaram foram desviados pela polícia que os despejou na estrada e espancou brutalmente mulheres, crianças e idosos.

O papel da direção: pacificar o movimento e preservar o governo federal

A direção do MTST se esforçava para convencer os acampados de que não deveriam resistir, mesmo com um setor disposto a fazê-lo. Esta orientação desarmou o movimento, que saiu sem nenhuma perspectiva. Um dirigente saiu com o carro de som no acampamento dizendo que não era para resistir. A não-resistência foi uma opção da direção, que tinha esperanças de que o governo federal solucionasse o conflito. O principal dirigente, Jota, dizia que não poderia brigar com o PT porque este era um aliado. Só que o governo federal e as cinco prefeituras do PT na região não mexeram uma palha para solucionar o problema.

A responsabilidade pela desocupação deveria ser do governador e do prefeito, e não da direção do movimento. O pior é que saíram do terreno sem a garantia de ter outro lugar para ir. Foram para a prefeitura, de onde foram novamente desalojados. Terminaram passando a noite na Praça Matriz. Um sem-teto, indignado, disse: “Somos sem-teto, não mendigos de praça”.

Poderia ser diferente

A luta dos sem-teto poderia ser diferente se a direção desse outra condução ao movimento. Era necessária a unificação da luta por moradia com a luta contra as demissões dos metalúrgicos e com a greve dos servidores contra a reforma da Previdência, para exigir de Alckmin, mas também de Lula, moradia digna, trabalho, emprego e uma Previdência pública para todos.

Post author Emannuel Oliveira,
de São Bernardo do Campo (SP)
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