ABIN: saem os intermediários, entram os agentes diretos

Governo indica para ABIN delegado ligado ao FBI e à SWAT`Reprodução
É comum a intervenção norte-americana em muitos países considerados da periferia. Muitos de seus agentes chegam a ocupar cargos nos governos. Por exemplo, o presidente do Peru, Alejandro Toledo, formado em Havard, ou Vicent Fox, que foi presidente da Coca-Cola antes de assumir a presidência do México. Recentemente, foi nomeado para o governo do Iraque um ex-agente da CIA (Central Inteligence Agency), conhecido por ter articulado muitos golpes de Estado na América Latina, entre eles o de 1964, no Brasil, e o de 1973, no Chile.

Muitos acreditavam que, no Brasil, pós-ditadura, a interferência não era tão intensa.

Entretanto, Collor, FHC e agora Lula acabaram com essa ilusão ao demonstrar que nosso país é tão submisso aos interesses externos como qualquer outro. Depois de entregar o Banco Central e transformar o país em um grande agro-negócio, Lula e Zé Dirceu resolveram entregar a segurança nacional.

Em 9 de junho, o governo indicou para chefiar a ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) o delegado Mauro Marcelo Lima e Silva, da Polícia Civil de São Paulo, formado pela Academia Nacional do FBI (Federal Bureau of Investigations), em Quântico, Virgínia e pela SWAT, na polícia de Miami.

Não resta dúvida, o imperialismo norte-americano está acabando com os intermediários e colocando nos mais importantes cargos dos países considerados periféricos homens de sua inteira confiança.

A cooperação é antiga

Desde 1988, continuando no governo FHC, a atual Coordenação de Operações de Inteligência Especializada (COIE), vem compartilhando informações entre a Polícia Federal do Brasil, a CIA e o FBI. Isso é feito sem nenhum convênio formal e sem nenhum protocolo assinado. Tudo subsidiado pelas agências norte-americanas, que compravam computadores, alugavam carros e pagavam salários aos policiais brasileiros para servirem com dedicação.

Essa informação não foi passada por nenhum infiltrado esquerdista e, sim, pelo delegado e ex-chefe do FBI no Brasil, Carlos Costa, a uma Comissão de Segurança do Congresso Nacional e à revista CartaCapital.

A Polícia Federal entrou no caso por meio de um inquérito, que investiga os crimes ligados ao “caixa dois”, formado por investimentos do governo norte-americano. O escândalo chegou a tal ponto, que o procurador Luís Francisco de Souza requereu o tombamento dos bens obtidos através desses investimentos.

Nos governos anteriores, essas relações sempre foram sigilosas. Os agentes do império passavam por “conselheiros e adidos”.

Lula escancarou tudo

O governo Lula resolveu escancarar tudo ao indicar para chefe da ABIN o delegado Mauro Lima e Silva. Este afirmou à revista CartaCapital admirar o FBI e seu famigerado ex-diretor John Edgar Hoover. Através de seus estudos nos EUA, ele estabeleceu uma relação de confiança com o agentes norte-americanos, uma verdadeira confraria de “mão dupla”. Ou seja, trocas de informações garantidas. Aliás, uma das especulações é que Silva abasteceu os norte-americanos com informações sobre o PT e Lula durante a campanha presidencial.

Essa relação de confiança garantiu-lhe participação na equipe de segurança do diretor do FBI, Tom Pickard, em sua estadia no Brasil.

Repúdio a essa interferência imperialista

As entidades e organizações dos movimentos sociais e os militantes do PT, do PCdoB e do MST devem repudiar esta indicação enviando mensagens e resoluções ao presidente Lula e ao Congresso Nacional. Não podemos admitir mais esta interferência imperialista no Brasil.

Ter um delegado de polícia como coordenador geral de uma agência de inteligência já é um absurdo, mas se ele ainda conta com estreitos vínculos com os serviços internacionais de repressão, aí já é inadmissível.

EDGARD HOOVER E O FBI

O FBI foi formado em 1908, a partir de agentes do Serviço Secreto. Em 1924, Edgard Hoover foi nomeado diretor e permaneceu no cargo por 48 anos, até sua morte, em 1972.

Nesse período, o FBI espionava manifestantes políticos e outras pessoas. Cassou comunistas durante o macartismo.

Era católico, ligado à hierarquia vaticana nos EUA e chantageava homossexuais; recrutou informantes no submundo, utilizando assassinos para alguns “trabalhos”.

Para ele, o partido dos Panteras Negras era tão radical, que foi considerado “a maior ameaça à segurança interna dos EUA”. Hoover impulsionou a campanha para expulsar John Lennon do país quando ele se engajou na luta contra a guerra e o racismo.

Seus casos mais hilariantes foram as acusações de que Frank Sinatra seria um agente comunista e a parceria com Elvis Presley para realizar investigações.

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