A “transição“ do FMI e a eleição da mudança para não mudar

Dois fatos nas alturas marcam a conjuntura, sendo que um deles seguramente terá profunda incidência aqui embaixo nos próximos anos.

O primeiro fato é a crise da candidatura Serra que leva a um novo “round” de briga entre os de cima: o plano A e o plano B da classe dominante se engalfinham. A briga entre Ciro e Serra, para ver quem emplaca no segundo turno, não deixa de ser um “repeteco” em terreno eleitoral dos muitos embates que ocorrem entre os de cima desde a explosão da aliança governista (ACM versus Jader), até o tiro ao alvo contra Roseana… Daí ser improvável que Serra aceite sair de cena sem briga e briga feia. Podemos esperar “streptease” entre os de cima. Além disso, o novo Collor aparece, para os debaixo, travestido de oposição e por isso o placar atual das pesquisas também indica, distorcidamente, um desejo enorme de mudança por baixo.

O segundo, decisivo, é o acordo de “transição” com o FMI que é negociado pelo governo FHC e pelos quatro principais candidatos à Presidência. Uma fraude no desejo de mudança.Querem nos fazer crer que uma maratona de reuniões e encontros com os “donos” do mundo no último mês ocorreram sem nenhum propósito. Tudo simples visitas de “cortesia”. Na realidade, Armínio Fraga esteve com banqueiros, com o FMI, com o Tesouro dos EUA e outros membros do governo Bush; em seguida foi a vez do Presidente do PT fazer a mesma romaria, depois Fraga se reuniu com o PSDB, com Mercadante (PT) e tem agendado encontros com Ciro Gomes e Garotinho. Para coroar tudo, a vice do FMI veio ao Brasil esta semana e Paul O`Neill – Secretário do Tesouro de Bush – desembarca em terras brasileiras brevemente.

A prorrogação ou o novo acordo com o FMI servirá para garantir ou novos empréstimos e/ou permissão de que as reservas de dólares brasileiras possam ter seu piso rebaixado para que o governo possa torrar bilhões com os banqueiros. Como sempre, atrás dos empréstimos, vêm as cartas de intenções que amarram milimetricamente toda política econômica do governo e sua adesão à ALCA. Querem garantias do futuro governo de que nada mudará para os banqueiros.

Até agora não foi assinada (pelo menos oficial e publicamente) uma carta de intenções por todos os candidatos, pelo simples motivo de que isso não é necessário. Mas, pelos elogios mútuos acerca da “civilidade” das conversas, há um grande acordo em curso.De modo que, nas eleições de outubro, os eleitores poderão escolher apenas diferentes embalagens de um mesmo programa. Genéricos do FMI, que garantem boa vida aos banqueiros às custas de contra-indicações dolorosas para a maioria do povo: desemprego, fome, desmantelamento dos serviços públicos e entrega do país.

É hora de dizer Fora daqui ao FMI. Anne Krueger merece ser cercada por atos de protesto a exemplo do ocorrido no Banco Central do Rio de Janeiro. A classe trabalhadora deve exigir que o PT rompa com o FMI e que a CUT e a UNE organizem protestos contra os emissários de Bush.


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