A saída: estatizar para não demitir

A Parmalat possui oito fábricas no Brasil, com cerca de 6.000 funcionários. Quase toda a produção da empresa está paralisada por falta de matérias primas. Estima-se que, entre fornecedores e funcionários indiretos, cerca de 100 mil pessoas dependam da empresa. A multinacional deu férias coletivas para 423 trabalhadores e demitiu cerca de 120.

Somente a estatização da empresa sob controle dos trabalhadores e sem indenização poderá resolver a crise e impedir mais demissões. É preciso realizar uma devassa nas contas, quebrando sigilo fiscal da Parmalat e de seus dirigentes, punindo, então, todos os responsáveis. Porém, o governo Lula faz o inverso, enviando o ministro do Desenvolvimento Agrário Miguel Rosseto, representantes parlamentares e da CUT à Itália negociar a solução da crise. O interventor Enrico Bondi e investidores pressionam o governo brasileiro a editar uma medida provisória adiantando pontos da Lei de Falências, já aprovada na Câmara e atualmente tramitando no Senado. De acordo com a lei, em caso de falência o setor financeiro teria prioridade no pagamento de dívidas, em detrimento dos salários dos trabalhadores e encargos tributários.

Infelizmente, o representante da CUT, Sidirley Silva, declarou apoio à proposta indecente encaminhada pelos executivos italianos. O governo já sinalizou que arcará com as dívidas da Parmalat com os produtores do Rio, que levaram calote da empresa, prenunciando uma repetição do caso Eletropaulo/AES.
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