A reconstrução da IV Internacional

A situação reacionária dos anos 90 foi superada. O século 21 trouxe uma enorme modificação da realidade, com a crise do neoliberalismo e o ressurgimento de grandes processos revolucionários. Insurreições e semi-insurreições derrubaram governos no Equador, na Argentina e na Bolívia. Outro levante impediu o golpe imperialista na Venezuela contra Chávez em 2002. No Iraque, a ofensiva militar norte-americana entrou num pântano perante uma resistência heróica e crescente.

No entanto, mesmo com essas modificações na realidade objetiva, seguiu existindo um atraso importante na consciência, produto da década anterior. Apesar dos avanços na consciência antiimperialista, continuam existindo questionamentos sobre a estratégia socialista e revolucionária. A destruição do aparato stalinista internacional não foi seguida pela construção de uma alternativa revolucionária.

PERSPECTIVAS
Mas, nos últimos anos, novos avanços estão se dando também nesse terreno. O maior enfrentamento da luta de classes tem conseqüências no plano ideológico. Hoje a discussão sobre o socialismo voltou ao movimento de massas. Existe uma retomada dos debates sobre a revolução, interessando um número maior de ativistas. Observa-se um fortalecimento de processos de reorganização do movimento de massas, como é o caso da Conlutas (Brasil), C-CURA (Venezuela) e Batay Ouvriyé (Haiti). Paralelamente começam a se fortalecer correntes revolucionárias na América Latina.
O significado destas mudanças, mesmo num ritmo mais lento do que o das grandes lutas, é que começa a se manifestar com toda a clareza o efeito progressivo do fim do stalinismo.

O que tinha ficado contido pela situação reacionária dos anos 90 agora começa a se expressar com mais clareza.

Isso pode significar uma abertura de possibilidades para a reconstrução da IV Internacional em condições superiores às do passado. Nesse caso, a tarefa de reconstruí-la deve ser tomada como continuidade do método empregado por Trotsky em sua fundação. Sem nenhum sentido de autoproclamação, mas buscando agrupar os revolucionários em um programa e uma concepção claros de partido. Construir a unidade solidamente ao redor desses princípios e não de possíveis origens comuns. E fazer a tarefa difícil e custosa de atualizar o Programa de Transição, incorporando as novas realidades produzidas pelo fim do stalinismo no Leste Europeu e a globalização do capitalismo.

Essa é a tarefa proposta pela LIT a todas as organizações revolucionárias que estejam de acordo com essa perspectiva. É um convite a todos os que vêem a necessidade de um instrumento para fazer a revolução internacional.

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