A nova direção vai surgir das lutas

    Qual direção vai emergir dessa  nova situação? Essa é uma questão  chave para o desenvolvimento das lutas Não se pode ver uma alternativa 
    para formar uma nova direção no  espontaneísmo das passeatas de junho.  Foi extremamente progressivo o fato destas mobilizações passarem
    por fora dos aparatos. Mas a falta de uma direção que estivesse à altura das expectativas expôs os limites do movimento. A redução do número
    de pessoas nas passeatas no final de junho foi prova disso. Quais são os próximos passos? Qual é o programa depois da vitória contra o aumento
    das passagens? Essas perguntas sem respostas expressavam o limite das mobilizações espontâneas.
    Tampouco a direção para essa nova situação vai estar nas centrais sindicais como a CUT ou mesmo a Força  Sindical. Os sindicatos demonstraram com as greves de 11 de julho que seguem sendo importantes para mover os trabalhadores. A chamada “greve geral do dia
    1 de julho”, convocada pela internet, pelo facebook, mostrou claramente os limites deste tipo de ferramenta para organizar a luta dos trabalhadores. O dia 11, por outro lado, foi uma das maiores greves da história desse país. No entanto, sabemos que a CUT é
    governista e vai tentar evitar a paralisação do dia 30 de agosto, como tentou com o dia 11. A Força Sindical adotou uma postura oposicionista no momento,
    mas é preciso ver até onde isso irá, conhecendo o perfil ideológico desta central e o fato de que o PDT, partido ao qual é ligada, segue no governo.
    A nova direção não vai sair dessas centrais. Vai surgir das lutas concretas que começaram em junho. Temos um longo processo pela frente. Só os primeiros
    passos foram dados. Neles já temos sinalizações do futuro. 
     
    A CSP Conlutas foi a única central sindical (e popular) a estar presente nas mobilizações de rua de junho, e teve um papel importante na convocação da greve de 11 de julho. A Assembleia Nacional dos Estudantes Livres (ANEL) esteve presente nas passeatas da juventude de junho e também na greve de 11 de julho. O PSTU participou das mobilizações de rua de junho, inclusive se defendendo de grupos fascistas que tentaram baixar nossa bandeiras. Também impulsionou as greves do dia 11.
    Os novos organismos que surgiram das mobilizações de junho, como a Assembleia Popular Horizontal de Belo Horizonte e o Fórum de Lutas contra
    o Aumento das Passagens do Rio de Janeiro, são partes desse processo de construção de uma nova direção. A nova direção vai surgir das lutas,
    o que inclui as que já ocorreram e as que vão ser realizadas, como a greve nacional do dia 30. 
     
    Construir o 30 de agosto pela base
    Depois da greve nacional do dia  11, as Centrais Sindicais marcaram o novo Dia Nacional de paralisações no dia 30 de agosto. Na verdade, a CUT queria  esperar a negociação com o governo. A CSP-Conlutas propôs uma greve geral. A resultante da reunião das centrais foi a convocação de um Dia nacional de
    Paralisações. A pauta de reivindicações é a mesma do dia 11, com o agregado de “trabalho igual, salário igual” para incorporar a luta contra a discriminação da mulher no trabalho. 
    Evidentemente, nada está assegurado. A CUT vai tentar evitar que a paralisação do dia 30 de agosto se realize. Se não conseguir, tentará, mais uma vez, impedir que se choque contra o governo Dilma. A Força Sindical até agora mantém um discurso oposicionista, tendo sido importante para garantir o dia 11 de
    julho. Também pressionou para que fosse marcada a paralisação do dia 30 de agosto. Vai seguir adiante? 
    A greve do dia 30 deve ser construída pela base. Assim, essa data pode ser superior ao dia 11. E também para prevenir a possibilidade de recuo por parte das centrais governistas. Por isso, a CSP-Conlutas e a ANEL, bem como seus parceiros do Espaço de Unidade de Ação, devem convocar assembleias e reuniões de base, abertas a todas as entidades para a preparação do dia 30. Da mesma maneira, os novos organismos que surgiram das mobilizações
    de junho também devem pautar a construção unitária das greves e mobilizações dessa data. Existem alguns setores que se dizem horizontalistas e 
    outros, ultraesquerdistas, que querem evitar que esses novos organismos se juntem aos sindicatos e entidades estudantis, que organizaram o dia
    11 de julho, na preparação do dia 30 de agosto. Seria um equívoco muito grande, que só serve aos governos e as burocracias sindicais. Para fortalecer as mobilizações de rua e construir o dia 30 de agosto é necessário incorporar quem estava nas passeatas. Os sindicatos dos trabalhadores, por sua vez, devem  buscar antecipar as campanhas salariais, tendo o dia 30 como uma referência. O movimento estudantil também deve participar, uma vez que a volta às aulas  eforça a possibilidade de mobilizações no dia 30. Por sua vez, o movimento popular devem também utilizar essa referência do dia 30 de agosto para construir uas mobilizações urbanas e rurais.
    O dia 30 de agosto pode ser uma forte greve nacional, acompanhada de grandes mobilizações estudantis e populares. Caso exista recuo por parte da CUT (ou de outras centrais governistas), é muito importante que esse dia continue sendo uma data em que se imponham as mobilizações pelas bases.
     
    Por um Plano econômico dostrabalhadores!
    É preciso dar um fim ao plano econômico  do governo Dilma que entregou em 2012 para os bancos 44% de todo o orçamento do país (mais de 750 bilhões de reais) para pagar a dívida pública. Ou seja, deu quase metade de toda a arrecadação do povo brasileiro para os banqueiros, pagando mais uma vez uma dívida que já foi paga. Dilma entrega aos banqueiros cinco vezes mais do que gasta em saúde, educação e transporte. Essa situação precisa mudar! Defendemos:
    -Nenhum dinheiro para os bancos! 10% PIB para a educação pública já! 10% do orçamento para saúde pública já! 2% PIB para transporte público já!
    -Aumentos salariais já! Redução dos preços dos alimentos e tarifas!
    -Passe livre para todos os estudantes e desempregados! Estatização dos transportes e Tarifa Zero!
    -Reestatização das empresas privatizadas! Fim dos leilões do petróleo! Petrobras 100% estatal!
    – Nenhum dinheiro mais para as grandes empresas! Recursos púbicos para os serviços públicos e valorização dos servidores!
    -Contra a opressão às mulheres, negros e homossexuais! Fora Feliciano! Pela  criminalização da homofobia! Contra a violência contra mulheres! Abaixo o genocídio contra os negros nos bairros pobres!
    -Greve geral para por fim a esse modelo econômico! Por um plano econômico dos trabalhadores!
    -Nem direita nem PT, por um verdadeiro governo dos trabalhadores!

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