A luta contra o aumento das passagens toma o país

    Há vários dias, jovens tomam as ruas de importantes capitais brasileiras contra o aumento abusivo das tarifas de transporte público: Goiânia (GO), São Paulo (SP, Rio de Janeiro (RJ) e Natal (RN) têm visto mobilizações massivas contra os reajustes. Em Porto Alegre (RS), os estudantes e trabalhadores que derrubaram o aumento da tarifa em abril já se preparam novamente para resistir à ameaça de novo ataque. Em Goiânia, a Justiça revogou o aumento da passagem, uma vitória para o movimento.

    Luta contra a máfia dos transportes
    Em todo o país, o argumento dos governos é o mesmo para encarecer as passagens: dar melhores condições ao serviço de transporte público e cobrir gastos essenciais como combustíveis, renovação da frota e, inclusive o salário dos trabalhadores do transporte. No entanto, não se vê melhoria alguma.
    O transporte público é controlado por verdadeiras máfias em diversas cidades. Os tubarões do transporte financiam as campanhas eleitorais dos partidos burgueses (e do PT, inclusive), e depois têm a conivência dos governos.
    A população amarga ônibus, trens e metrôs lotados. O aumento das passagens significa apenas mais aumento no custo de vida da população. Para os trabalhadores, permanece a rotina do sufoco cotidiano para chegar ao trabalho. As péssimas condições do transporte afetam também motoristas e cobradores: são grandes os riscos de acidentes e a cobrança por corridas em menos tempo. Sem falar do absurdo de em muitos lugares, como no Rio de Janeiro, os condutores acumularem a função de cobrar a passagem.
    Por toda essa situação é que o movimento tem feito protestos massivos, buscando o diálogo com o conjunto da população, que muitas vezes manifesta abertamente seu apoio. Mas do lado dos governos, a resposta tem sido bem diferente.

    PSDB, PMDB e PT reprimem o movimento
    Priorizando a defesa dos interesses empresariais, as prefeituras têm defendido os aumentos com enorme truculência. Foi assim em Natal há algumas semanas, quando a tropa de choque atacou barbaramente estudantes.
    Mais recentemente, o páis assistiu pela televisão às cenas chocantes da polícia de Geraldo Alckmin (PSDB) descarregando suas armas de balas de borracha contra manifestantes e mantendo estudantes presos em um shopping no qual haviam procurado refúgio da fúria da repressão. Sem falar nas prisões arbitrárias, como a do presidente do Sindicato dos Metroviários, Altino Prazeres. Nas declarações que deu a respeito, o prefeito Fernando Haddad (PT) defendeu a ação policial.
    Em 10 de junho, foi a vez da polícia do Rio protagonizar cenas absurdas. A polícia do prefeito Eduardo Paes e do governador Sérgio Cabral (ambos do PMDB) lançou uma ofensiva desmedida contra uma manifestação pacífica contra o aumento no Rio. Até o fechamento desta edição, haviam 30 ativistas presos.

    Manifestação nacional
    No dia 13 de junho se realiza atos em diversas cidades contra o aumento das tarifas, como em Porto Alegre, onde o procurador do Ministério Público, José Túlio Barbosa, ameaça revogar a liminar que impediu o aumento da passagem há alguns meses. Realizam-se também atos em Goiânia, São Paulo e diversas outras cidades.
    A ANEL está nas ruas de todo o Brasil com a campanha “Contra o aumento da passagem! Passe Livre Já, Brasil!”, votada recentemente no seu II Congresso. Todo o país exige a revogação do aumento das tarifas de transporte e passe livre para estudantes!

    Não a repressão e truculência policial!
    O aumento das passagens em São Paulo tem dois responsáveis, o governador Alckimin (PSDB) e o prefeito Haddad (PT).
    Todos já conhecemos o jeito “PSDB” de resolver qualquer questionamento à sua autoridade, com o uso da força e do cassetete. Mas o que está surpreendo a uma parte dos ativistas que estão nessa mobilização são as declarações do prefeito Haddad, que justificou a repressão policial dos últimos dois atos dizendo que a PM “estava cumprindo sua função”. Na primeira manifestação a repressão se iniciou covardemente, quando o ato já tinha chegado ao fim e levou presos inúmeros ativistas, inclusive o presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Altino Prazeres que estava negociando o trajeto com a polícia.
    Repudiamos toda e qualquer forma de coerção ao movimento! Não nos admira que a mesma prefeitura que ameaçou cortar o ponto dos professores municipais, em greve há poucos meses atrás, agora justifique a ação truculenta da PM contra os estudantes e trabalhadores que estão se mobilizando. Não irão nos calar! Seguiremos ainda mais fortes em nossa luta!

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