A história da CUT

1983 – CLASSISTA, DE LUTA E SOCIALISTA

Embalada pelas grandes greves que ocorreram no final da década de 70 e início dos anos 80, nasceu a CUT. O Congresso de fundação daquela que se tornaria a maior central de trabalhadores da América Latina ocorreu entre os dias 26 e 28 de agosto de 1983, em São Bernardo do Campo. Participaram 5.054 delegados, representando 911 sindicatos, que elegeu uma coordenação provisória para dirigir a entidade até o 1º Concut, que se realizaria no ano seguinte.

1984 – DEMOCRÁTICA E PELA BASE

Com 5.260 delegados, é realizado entre os 24 e 26 de agosto de 1984, o 1º Congresso Nacional da CUT, com representantes de todos os estados.

Jair Meneguelli, metalúrgico do ABC na época – hoje presidente do Conselho Nacional do Sesi (Serviço Social da Indústria) – foi eleito presidente e dirigiu a entidade por 11 anos.

Entre as principais reivindicações dos trabalhadores estavam redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução de salário, reajuste trimestral; estabilidade no emprego; salário desemprego e reforma agrária sob controle dos trabalhadores.

Foram realizadas centenas de greves e várias conquistas foram obtidas no ano de 1985. Foram cerca de 900 greves feitas por quase 7 milhões de trabalhadores em todo o país. Isso mudou a face do sindicalismo brasileiro, tendo como papel fundamental a Central Única dos Trabalhadores.

O ascenso do movimento sindical levou a CUT a crescer de forma acelerada. Foram criadas CUT’s regionais e houve grandes vitórias na disputa com a pelegada.

1986 – NAO AO PACTO SOCIAL, A GREVE É A NOSSA ARMA

O 2º Concut foi realizado entre 31 de julho a 3 de agosto de 1986, no Maracanazinho, Rio de Janeiro. O ponto central dos debates na Central foi o contrato coletivo de trabalho.

Neste mesmo ano, a CUT organizou a primeira greve geral de sua história. O alvo foi o Plano Cruzado 2, implantado pelo então presidente José Sarney. A greve consegue mobilizar cerca de 20 milhões de trabalhadores.
A proposta de pacto social feito pelo governo Sarney é rechaçada pela CUT, que defendendo a origem de classe respondeu: “não há pacto social entre desiguais”.

1988 – O MAIOR CONGRESSO DA CUT

Em setembro de 1988, no mineirinho, em Belo Horizonte, é realizado o 3º Concut, o maior da história da Central em número de delegados. Foram 6.244 trabalhadores, representando 1.143 entidades. Jair Meneguelli é eleito para o terceiro mandato. Este Congresso, refletindo o enorme ascenso das lutas que havia então, derrota a política da Articulação e impõe um calendário de lutas. Esse tremendo ascenso culminará com a realização da maior greve geral da história do Brasil no primeiro semestre de 1989. No entanto, a Articulação impõe o primeiro golpe à democracia da Central, acaba com os Congressos anuais e aprova um funil para eleição dos delegados aos próximos Congressos.

1991 – FUNIL DA ARTICULAÇÃO SOLAPA A DEMOCRACIA

Crescem as divergências internas dentro da Central. O 4º Concut, realizado em São Paulo em 1991, foi um marco no início do processo de burocratização da CUT. Com o funil aprovado pela Articulação em 1988 para se eleger delegados, participam apenas 1.554 trabalhadores, de 1300 entidades.

A oposição que tinha mais metade do Congresso consegue aprovar a proposta da proporcionalidade qualificada, mas uma manobra da Articulação manteve a situação anterior, ou seja a chapa vencedora, independente do percentual escolhe todos os cargos e é preciso atingir determinado percentual para fazer parte da diretoria.
As CUT’s regionais são desativadas e Meneguelli vai para o quarto mandato.

1994 – PRIORIDADE PARA A NEGOCIAÇÃO

Após uma década de sua fundação é realizado o 5º Concut, em maio de 1994. O número de delegados teve um crescimento pífio, foi de 1554 do último congresso para 1918, mas quase 1000 sindicatos se filiaram à Central neste período.

Após 11 anos a frente da entidade sai Meneguelli, e Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, é eleito.

A CUT neste período já está num processo de priorizar a “negociação” e a parceria com a patronal, através da implantação das Câmara Setoriais, política adotada pela Articulação, principalmente no ABC. Os dirigentes da CUT mudam o discurso e passam a priorizar a luta institucional e a conciliação, inclusive, com o governo. Maior expressão disso, foi a contemporização com a desautorização da greve dos petroleiros feita por Lula e a política da Central de deixá-la isolada. Com isso, a greve dos petroleiros de 32 dias sofre uma grande derrota, levando todo o movimento a um processo de refluxo.Vicentinho, além de tudo, aceita negociar a reforma da Previdência de FHC.

1997 – OPOSIÇÃO BATE FORTE NA “NEGOCIAÇÃO” DA REFORMA DA PREVIDÊNCIA DE FHC

Em 1997, no 6º Concut, realizado em São Paulo, Vicentinho foi reeleito, e a CUT foi pendendo cada vez mais para o campo da parceria com a patronal.

A participação de Vicentinho na negociação da reforma da Previdência com Fernando Henrique indicou o rumo, sem volta, da política da Articulação. Vicentinho foi ao encontro com FHC e concordou que era possível negociar a mudança do tempo de serviço pelo tempo de contribuição. Essa postura foi duramente criticada pela oposição no 6º Concut. O Congresso aprovou uma ampla campanha contra as reformas de FHC. Pressionada, a CUT aprovou uma greve geral, mas efetivamente não impulsionou a mobilização.

2000 – Fora FHC

O último Concut aconteceu em 2000, em Serra Negra (SP) marcado por divisões dentro da própria Articulação, refletindo o processo de esquerdização do movimento e início das lutas. Isso possibilitou a aprovação do “Fora FHC”, cuja proposta foi apresentada pela oposição.

O dirigente da Apeoesp João Felício foi eleito presidente da Central.
Post author Jocilene Chagas,
de São José dos Campos (SP)
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