A crise se acelera

A burguesia dos países mais débeis, como a grega, está disposta a aceitar essas condições humilhantes para defender os lucros que recebem da exploração dos trabalhadores, ainda que isso represente um claro retrocesso de seus países e a obrigação de atacar os direitos dos trabalhadores.

Nenhum país europeu está em boa posição para “socorrer” outro. Depois da Grécia, esperam em fila Portugal, Irlanda, Espanha, Itália, Inglaterra… Já foi gasta quase toda a munição de apoio estatal em 2008-2009. Os próprios EUA sofrem com sua própria crise econômica e política, e seu risco de default. Algo inimaginável no passado.
Mas se as burguesias aceitam a se sujeitar, os trabalhadores e o povo não parecem dispostos fazê-lo. No caso grego, a resistência faz mais de dois anos e toma um caráter heróico: mais de uma dúzia de greves gerais, às quais se somam também a ocupação de praças, ao estilo egípcio ou espanhol.

Mas, se os trabalhadores e o povo grego estão na vanguarda, fica claro que a resistência começa a se estender por todo o continente. Já vimos a luta dos trabalhadores e da juventude da França contra Sarkozy, em 2010; as mobilizações da “geração à rasca”, em Portugal; os indignados espanhóis; a poderosa greve geral de funcionários públicos e docentes na Inglaterra. Essa luta produz desgaste e crise nos governos que aplicam os planos, sejam de direita ou de “esquerda”. Na medida em que a luta se mantém, são os próprios regimes que começam a entrar em crise, ao se esgotarem as mediações políticas que tratam da desviar e frear as lutas. Na Grécia, há o desgaste acelerado do governo do social-democrata PASOK (Partido Socialista), sem que a direita (Nova Democracia) se recupere de sua derrota eleitoral de 2009. E os deputados de ambos partidos tiveram que ser protegidos por vários cordões policiais quando votaram o último pacote. Um desgaste dos regimes que também começa a se expressar quando os jovens de Portugal e da Espanha reivindicam “democracia real” e denunciam a profunda ligação desses regimes políticos e seus partidos com a burguesia imperialista.

Há desigualdades. A situação não é a mesma na Grécia e na Alemanha, onde o proletariado mais poderoso da Europa ainda não entrou em cena, pese a existência de grandes mobilizações contra as usinas nucleares, e o fato que o governo de Merkel também sofre as consequências da crise europeia, com a queda de seu prestígio político.

Em outras palavras, as burguesias europeias devem aplicar os piores planos de ajuste e realizar os mais duros ataques em décadas, mas não em um cenário de tranquilidade, mas enfrentando forte resistência e crescentes crises políticas.
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