A crise econômica e a situação mundial

Greves gerais e grandes protestos marcam o segundo momento da crise econômica na Europa. Como em 2009, governos tentam jogar a conta nas costas dos trabalhadoresOs debates no Congresso de Unificação devem começar a partir da análise da maior crise econômica do sistema capitalista desde 1929. Pela sua dimensão, a crise que teve seu primeiro auge em 2008 não pode ser encarada como uma crise como tantas outras que marcaram os ciclos do capitalismo.

De 2008 até hoje, estima-se que cerca de 70 trilhões de dólares derreteram nas bolsas. Houve falências e fusões de bancos e grandes empresas. Em 2009, o PIB das principais economias capitalistas do planeta teve expressivos índices negativos. A burguesia e seus governos se apressaram em jogar as consequências nas costas dos trabalhadores e do povo pobre.

O desemprego cresceu em todo o mundo. Nos Estados Unidos, atinge 9,5% da população ativa, sendo o maior índice em 26 anos. Os patrões aproveitaram para reduzir direitos e rebaixar salários dos trabalhadores. Na GM dos EUA, os metalúrgicos abriram mão de direitos históricos, o que não evitou as cerca de 35 mil demissões. Infelizmente, as principais direções sindicais acabaram colaborando com os planos de ajustes dos seus governos, apoiando estes acordos rebaixados.

A fome e a miséria também aumentaram, principalmente nos países mais pobres. A própria ONU reconhece que uma em cada seis pessoas passaram fome no mundo no ano passado.

Os principais governos imperialistas definiram sua política central na crise: usar dinheiro público para salvar grandes empresas. Cerca de 25 trilhões de dólares foram doados aos bancos e grandes companhias. Só nos EUA, os grandes empresários receberam 13 trilhões de dólares.

Segundo organismos internacionais, com somente 1,2 trilhão de dólares seria possível acabar com a fome no mundo.

Esta é a verdadeira face do capitalismo, que aprofunda a miséria para preservar os lucros de um punhado de grandes empresas.

Os ventos da Europa: um novo auge da crise
Os ataques aos salários e direitos, a queima de capital via falência e fusões, o montante de dinheiro público repassado para as grandes empresas e a colaboração das principais direções sindicais com os planos de ajustes facilitaram a abertura de uma recuperação relativa e momentânea da crise, no segundo semestre do ano passado.
Diante desta recuperação parcial da economia, a imprensa e os governos burgueses intensificaram sua campanha de que a crise já teria acabado.

Mas um novo pico da crise ameaça neste momento o continente europeu. Importantes países como Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha – chamados pejorativamente pela imprensa de PIIGS (“porcos”, em inglês) – estão com suas economias ameaçadas devido ao crescimento desenfreado da dívida pública. Estas relevantes economias foram vítimas da sua própria política de salvar as grandes empresas.

Diante da possibilidade de um novo auge da crise, estes governos já começam a aplicar novamente sua política de jogar a conta para os trabalhadores. Em todos eles os planos são os mesmos: redução e congelamento dos salários do funcionalismo, demissões no setor privado e cortes de gastos sociais e na previdência.

Mas os trabalhadores europeus começaram uma resistência que já é superior à que vimos em 2008. Trabalhadores gregos, portugueses e italianos fizeram recentemente grandes manifestações e greves gerais, e também há lutas importantes na Espanha.
A situação da Europa demonstra que os trabalhadores não foram derrotados e que grandes enfrentamentos estão por vir em breve.

A tarefa da nova organização que vamos construir é disputar a consciência dos trabalhadores para a necessidade de resistir aos planos de ajuste de todos os governos burgueses. Nosso objetivo é ganhar os trabalhadores para confiar somente na sua mobilização, rompendo as ilusões nos governos.

Mesmo os novos governos latino-americanos, que se elegeram como oposição aos planos neoliberais, diante da crise acabaram aplicando essencialmente os mesmo planos de ajuste dos governos imperialistas.

O Congresso de Unificação deve aprovar uma resolução que coloque o internacionalismo proletário como uma das principais tarefas da nova organização.
Unificando e coordenando as lutas dos trabalhadores brasileiros, da América Latina e de todo o mundo em um movimento que faça com que os capitalistas paguem pela crise.

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