A crise econômica agrava a fome

A LIT-QI afirma que o aumento de preços e a “crise dos alimentos” são, por um lado, resultado das tendências históricas estruturais mais profundas do sistema capitalista. Por outro, esta raiz estrutural deve ser agravada ao máximo pela crise econômica mundial que está se iniciando.

Os governos dos países imperialistas já gastaram mais de U$ 600 bilhões para tentar frear ou atenuar a crise financeira mundial aberta com o fim da “bolha especulativa” no mercado imobiliário dos EUA e outros países. Eles estão dispostos a fazer tudo para salvar os bancos e as corporações envolvidas nesta especulação, mas não para resolver a questão da fome no mundo. Pelo contrário, o aumento dos preços dos alimentos é uma das formas com que as burguesias tentam livrar-se das conseqüências dessa crise, fazendo com que os trabalhadores paguem os seus custos.

Ao mesmo tempo, o mercado mundial de alimentos, com o sistema de “mercados futuros”, se parece cada vez mais com um “cassino de apostas”. Um cassino ao qual se somaram novos “jogadores”: uma parte dos capitais que especulavam no mercado imobiliário agora se transfere para as commodities – especialmente petróleo, minerais e grãos –, criando uma “bolha especulativa” e aumentando artificialmente sua demanda e, com isso, seus preços.

Além disso, as grandes corporações petrolíferas e também os especuladores aproveitam a instabilidade no Oriente Médio (guerras no Iraque e Afeganistão) – resultado do fracasso da política do governo Bush na região – para elevar o preço do barril a níveis superiores a U$ 100, algo que incide, direta e indiretamente, sobre o preço dos alimentos. Como se costuma dizer entre os trabalhadores e as massas, “desgraça pouca é bobagem”.
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