A crise do setor automobilístico e a agonia da GM

Concordata da General Motors mostra gravidade da crise econômica internacionalA concordata da GM é um símbolo da profunda crise do capitalismo. A montadora era a maior produtora de automóveis do mundo até 2008, quando foi ultrapassada pela Toyota, e um dos símbolos da potência econômica dos EUA.

Trata-se de um golpe forte na campanha de que “o pior passou”. Esse fato, por sua magnitude e importância política, merece ser discutido profundamente e respondido política e programaticamente na dimensão que tem, por todo o movimento operário mundial.

A indústria automobilística mundial é o setor de ponta da indústria. Nela, se constatam as tendências profundas da economia: a expressão maior da superprodução, as políticas do grande capital e dos governos para a saída da crise e os prenúncios de como será o futuro.

Essa indústria é capaz de movimentar diversos setores da economia. A cadeia produtiva começa na siderurgia, passa pelo setor de autopeças e manufatura e vai até a outra ponta, nas concessionárias. Essa característica faz com que o setor automotivo tenha grande importância na economia global, com as montadoras faturando US$ 2 trilhões em 2007 e representando 3,8% do PIB mundial.

Com a crise, as vendas e a produção despencaram. Em 2008, os prejuízos somaram US$ 52,8 bilhões no pior ano da história da indústria automobilística. Em 2009, a situação está piorando.

Das empresas que tiveram lucros em 2008, só duas repetiram o feito no primeiro trimestre de 2009, mesmo assim com fortes quedas. A Volkswagen teve US$ 313 milhões, e Hyundai, US$ 17 milhões. A Fiat, que em 2008 teve lucro de US$ 2,31 bilhões, já perdeu US$ 544 milhões no primeiro trimestre de 2009. Os prejuízos da GM, Ford, Daimler e BMW somaram US$ 9,25 bilhões.

A previsão é que em 2009 quase dez milhões de veículos deixem de ser produzidos, reflexo da mais aguda crise atravessada pela indústria nas últimas décadas. A produção de 2009 deve chegar a 51 milhões de unidades, aproximando-se da marca de 1990, quando não havia produção na China. Considerando as vendas de 2007, de 65 milhões de veículos, haverá uma queda de 14 milhões de veículos. Isso é o mesmo que fechar 140 fábricas com produção de 100 mil veículos ou ficar cinco anos sem produzir veículos no Brasil. A estimativa da CSM, consultoria especializada em mercado automotivo, é de que só em 2012 as vendas retomem o patamar de 2007.

A crise atinge todas as empresas
Durante algum tempo, se dizia que a crise era administrativa, que atingiria apenas as grandes norte-americanas (GM, Chrysler, Ford) que não souberam se modernizar. No entanto, a realidade é outra. Houve uma grande queda de 30% nos principais mercados, atingindo todas as marcas. Nos mercados asiático e brasileiro, o ritmo de crescimento diminuiu, com uma queda brusca no último trimestre de 2008.

As gigantes americanas amargam grandes dívidas. A Ford deve US$ 15,9 bilhões e a GM, US$ 62 bilhões. A Chrysler entrou em concordata e deve US$ 6,9 bilhões aos acionistas.

Em 2008, nem as poderosas marcas japonesas, símbolos de competência, saíram ilesas. A Toyota anunciou o primeiro prejuízo de sua história, de US$ 4,4 bilhões. No ano anterior, a empresa havia tido lucro de US$ 17,4 bilhões, superando a GM na liderança mundial de vendas. Para o próximo ano, a previsão é de perdas ainda maiores, atingindo US$ 5,5 bilhões.

A GM anunciou um prejuízo de US$ 6 bilhões no primeiro trimestre de 2009 e suas ações despencaram 20%, atingindo US$ 0,90 cada, o menor nível em 76 anos. Hoje, uma ação da GM vale menos que um cafezinho nos EUA.

Post author Luiz Carlos Prates “Mancha”, da Direção Nacional do PSTU
Publication Date

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Rolar para cima
WordPress Appliance - Powered by TurnKey Linux - Hosted & Maintained by PopSolutions Digtial Coop