A crise de direção revolucionária e a reconstrução da IV Internacional

Organizações trotsquistas abandonam o programa da IV em troca do reformismoTrotsky, em sua autobiografia, diz que a criação da IV Internacional foi a maior obra de sua vida. Hoje, passados 66 anos, um olhar retrospectivo sobre a história lhe dá razão. A criação da IV manteve o fio de continuidade histórica do marxismo revolucionário, rompido pelas traições da social-democracia e do stalinismo.

Em 1933, Trotsky escrevia: “Não pode haver política revolucionária sem teoria revolucionária. Aqui é onde temos menos necessidade de partir do zero. Baseamo-nos em Marx e Engels. Os quatro primeiros congressos da Internacional Comunista nos legaram uma herança programática de grande valor: o caráter da era moderna como época do imperialismo, quer dizer, da decadência do capitalismo; o reformismo moderno e os métodos de luta contra ele; a relação entre a democracia e a ditadura do proletariado; o papel do partido na revolução proletária; a relação do proletariado e a pequena-burguesia, especialmente o campesinato (questão agrária); o problema das nacionalidades e a luta dos povos colonizados; o trabalho nos sindicatos; a política de frente única; a relação com o parlamentarismo”.

Este legado foi enriquecido com a análise e a política elaboradas na luta contra o stalinismo, principalmente a caracterização da ex-URSS como um Estado operário burocrático e seu prognóstico político, confirmado pela história: ou os trabalhadores derrubavam a burocracia stalinista através de uma revolução política que preservasse as bases econômicas do Estado operário, ou seria restaurado o capitalismo.

A caracterização de que “a crise atual da civilização humana é a crise de direção do proletariado” foi confirmada pelas revoluções ocorridas no século XX e nas mais recentes revoluções do século XXI, como as do Equador, Argentina e Bolívia. Contudo, prova maior é a situação da IV Internacional: enquanto seu programa é confirmado pela história, como organização política mundial já não existe mais.

Organizações trotsquistas, como o Secretariado Unificado (Democracia Socialista no Brasil), abandonam o programa da IV em troca do reformismo e da participação em governos traidores como o de Lula, e “novos” partidos reformistas como o P-SOL sequer colocam o problema da reconstrução da Internacional.

Mas o programa da IV é a resposta para as lutas atuais: contra a burguesia e o imperialismo, pela tomada do poder e a ditadura do proletariado; pela independência política do proletariado, contra as frentes populares e a conciliação com o capital; pela reconstrução do internacionalismo e da organização sindical e política mundial dos trabalhadores; contra as direções traidoras como Lula, o PT e a CUT no Brasil, e pela construção de uma nova direção revolucionária para o movimento de massas; pela construção de partidos revolucionários de luta e não eleitorais, com o regime do centralismo democrático.

O principal desafio de nossa época segue sendo a construção da direção revolucionária do proletariado, o que passa pela reconstrução da IV Internacional como partido mundial da revolução social. Esta é a maior das tarefas da LIT e do PSTU.

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