7º ato pelo Passe-livre é marcado pela violência policial em Recife


Estudantes pedem Passe-livre e CPI dos transportes e governador responde com balas de borracha e gás lacrimogêneo

Bomba de efeito moral e balas de borrachas foram as repostas dadaspelas autoridades de Pernambuco ao movimento pelo transporte público de qualidade. O protesto foi organizado pela Frente de Lutas pelo Transporte Público (FLTB) e já é o sétimo ato que ocorre em Recife.  A concentração ocorreu nesse dia 21 em frente à Escola Estadual Luiz Delgado no Parque 13 de Maio, um dos principais centros de circulação da cidade.  A Frente tinha uma reunião com a comissão de vereadores para discutir Passe-livre e CPI dos transportes públicos e, por isso, todos iriam para a Câmara de Vereadores aguardar o resultado desse encontro.

A saída aconteceu por volta das 14h30 com aproximadamente 200 pessoas. Para surpresa dos manifestantes, o presidente da Câmara de Vereadores, André Vicente Gomes (PSB), suspendeu os serviços da Casa. Essa atitude foi vista como uma demonstração de que sua palavra não vale de nada.

Isso porque, no dia 8 de agosto, após audiência pública sobre a situação do transporte, estudantes presentes no “plenarinho” decidiram ocupar a Câmara de Vereadores por estarem insatisfeitos com o resultado da audiência. Eles exigiam abertura de diálogo com o Prefeito Geraldo Julio (PSB), CPI dos Transportes públicos e liberdade dos presos políticos sem nenhuma notificação.

Após horas de negociação o Presidente da Câmara aceitou as reivindicações da FLTP. Os presos políticos foram liberados, ficou marcada uma secção no plenário para discutir a CPI no dia 13 de agosto e a formação de uma comissão para iniciar uma proposta para o Passe-livre.

O acordo não foi cumprido. No próprio dia da seção para CPI o presidente proibiu a entrada no movimento, alegando que o plenário estava cheio. Uma mentira descarada para evitar a participação popular. Há relatos de que não havia mais que 15 pessoas no plenário e na maioria eram assessores dos vereadores. Como resultado desse circo, os parlamentares decidiram arquivar a CPI. A enrolação voltou a se repetir na tarde desse dia 21. quando a Comissão de Vereadores responsável pelo Passe-livre, junto com o André Vicente, decidiu suspender as atividades da Casa.

Para Raíssa Bezerra,representante no estado da Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre (ANEL /PE) esse fato foi uma vergonha. “Sabemos muito bem quais os interesses por trás disso. O que move os vereadores não é a necessidade da população, por isso não consideramos uma traição. Agora é uma vergonha uma pessoa dá sua palavra e não cumprir, acho isso uma falta de caráter”, afirma Raissa.

Eduardo Campos (PSB) mostra que o coronel é ele
Após a proibição da entrada do movimento na Câmara, os manifestantes decidiram realizar uma passeata no centro do Recife. Seguiram para Conde da Boa Vista, Principal Avenida da Cidade. Tudo acontecia de forma tranquila até que a polícia lançou bomba de efeito moral e balas de borrachas em alguns manifestantes que estavam em cima dos ônibus apenas balançando bandeiras. Nesse momento já havia mais de 400 pessoas. Daí para frente a repressão tomou conta das ruas.

A polícia também utilizou gás de pimenta e bomba de gás lacrimogêneo, atingindo pessoas que nem estavam na manifestação. Dois garis foram atingidos por spray de pimenta, um estudante que passava no local foi atingido por uma bala de borracha na cabeça e uma secundarista que estava na manifestação. Várias pessoas passaram mal dentro dos ônibus por causa gás. A ação da polícia foi completamente desastrada e arbitrária.

É fato que os policiais e oficiais que estavam lá tem um chefe que manda e ele é o próprio governador Eduardo Campos (PSB). A política do governador é repressão e criminalização dos movimentos para manter a tal “paz” e “pacto pela vida” que ele tanto braveja. No ano passado, Eduardo ordenou que qualquer manifestação que bloqueasse o trânsito fosse fortemente repreendida, e agora tenta proibir carros de sons em determinados locais do centro. Isso só faz confirmar o seu apelido de “coronelzinho” e agora está sendo até intitulado como “Dudu Malvadeza”.

São vários os exemplos para confirmar esse título. Basta ver como ele tratou os últimos protestos contra aumento de passagem, além da greve dos rodoviários em que, até agora, os demitidos estão respondendo processos criminais, como Aldo Lima, um dos líderes da oposição rodoviária de verdade da CSP-Conlutas.

Nesse dia 23, a Polícia Militar prometeu endurecer ainda mais contra os manifestantes, revistando, nos protestos, os que estiverem com o rosto coberto e prendendo em flagrante os que se recusaram a descobrir a cabeça.

Essa mesma política é comungada pelo prefeito Geraldo Julio (PSB) que decidiu descontar os dias parados da greve dos Auxiliares de Desenvolvimento Infantil (ADIs). Como se não bastasse, cortou o vale-alimentação desses profissionais da educação. Mas isso não é tudo. O prefeito, durante sua campanha, prometeu Passe-livre para os estudantes e, até agora, nem recebeu a Frente de Luta pelo Transporte Público que já solicitou uma audiência por várias vezes.

A luta continua…
A Juventude do PSTU esteve presente em todo ato, bem como na Frente de Lutas pelo Transporte Público. O PSTU acredita que é preciso lutar para mudar a vida, não dá para ficar esperando os governos atenderem as reivindicações da população. Se não tiver pressão, nada acontece, pois a maioria deles representa os interesses dos empresários, bancários e latifundiários, os mesmos que bancam suas campanhas.

O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados defende o Passe-livre para estudantes e desempregados. Também somos a favor da CPI do transporte público. Primeiro, para mostrar que é possível termos um transporte público de qualidade sem aumentar passagens, inclusive com possibilidades de redução. E segundo, para mostrar quanto é dado para os parlamentares e chefes do Executivo pelas empresas de ônibus, uma verdadeira caixa preta.

Para Janaína Oliveira, da Juventude do PSTU, todas essas manobras do Governo do estado, Prefeitura e Câmara mostram de que lados estão os governantes. “É logico que nem Eduardo, Geraldo Júlio e André Vicente querem ver a CPI acontecer, pois é contrária aos interesses da classe dominante. E passe livre significa redução da margem de lucro dos tubarões do transporte público. Agora como toda ação tem uma reação, vamos mostra nas ruas a nossa insatisfação”, afirma a militante socialista.

Em nota pública, a Frente de Luta aponta os três principais culpados pela transformação do centro do Recife em um campo de batalha: O presidente da Câmara, Vicente André Gomes, pelos sucessivos golpes contra o movimento, o prefeito Geraldo Júlio, que prometeu o Passe-livre e até agora nem sentou com o movimento e o governador Eduardo Campos, que permanece negligente em relação à pauta do movimento.

Na nota, a Frente lembra que estão nas ruas desde janeiro deste ano reivindicando o Passe-livre e até agora nenhum deles fez nada, pelo contrário, fecharam o diálogo. O movimento afirma que irá intensificar suas mobilizações até que a CPI do Transporte Público seja instaurada, o Projeto de Lei do Passe-livre aprovado, e as audiências com Geraldo Júlio e Eduardo Campos marcadas. A luta continua!