25 de julho: dia de luta e resistência da mulher negra


Foto: Diego Cruz

Em 1992, a República Dominicana sediou o Iº Encontro de Mulheres Negras, quando foi instituído o dia 25 de Julho como o “Dia da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha”. O objetivo da data era buscar refletir sobre o papel das mulheres negras nesses continentes, dando visibilidade às lutas e à resistência das descendentes da diáspora africana, marcadas pela cruel combinação de exploração capitalista, racismo, machismo e lesbofobia.
 
Neste contexto, não podemos deixar de lembrar da heróica resistência das mulheres negras haitianas, vitimadas todos os dias pelas mais diversas formas de violência. Por isso, fortalecemos a campanha e exigimos “Fora as Tropas do Haiti”, brasileiras e da ONU!
 
No Brasil, as mulheres negras e jovens são a maioria das vítimas de violência doméstica, além de estar mais constantemente expostas à violência sexual e policial. Ao mesmo tempo, vivendo em um pais, onde um jovem negro tem 139% mais chances de ser assassinado que um branco, todos os dias, as mulheres, em especial as mulheres negras, sofrem com a perda de seus filhos, irmãos e companheiros, nas periferias e favelas todos os dias. 
 
A pobreza tem cor
Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que 16,2 milhões de brasileiros, 8,5% da população, estão em situação de extrema pobreza, vivendo com renda per capita de até R$ 70,00/mês. Desse total, 70,8% são afrodescendentes e 50% têm, no máximo, 19 anos de idade, na sua maioria mulheres (IBGE-2010). Negras são as que ganham os piores salários (chegam a receber 50% a a menos que homens brancos na mesma função) e encontram-se nos trabalhos mais precarizados e vulneráveis. Dos 7,2 milhões que exerciam trabalho doméstico, em 2009 (IPEA), 93% são mulheres. Dentro deste grupo, 61,6% negras.
 
As mulheres negras também estão nos serviços públicos, no setor de serviços e na educação pública, principalmente nos anos iniciais. E não é por acaso que os salários desta categoria são os mais baixos, como tambémo que tem menos tem direito. As mulheres e jovens negras também são a maioria nos estágios temporários, telemarketings e empresas terceirizadas, mas são as que menos estão presentes dentro das salas de aula das universidades públicas.
 
A presença das mulheres negras em postos de trabalho menos especializados, subempregos sem carteira assinada e nas terceirizações, expressa as desigualdades raciais presentes na sociedade brasileira, abismo que se aprofunda ainda mais quando combinados com os efeitos do machismo e da exploração.
 
O PSTU diz que o Dia 25 de Julho é mais um dia de luta das mulheres negras trabalhadoras, e este dia deve ser mais uma data para as mulheres se organizarem. Neste dia 25, temos que nos organizar também para que no dia 30 de agosto, junto à classe trabalhadora, construamos junto um novo dia nacional de paralisações.