1º de Maio de luta e classista reúne duas mil pessoas em São Paulo

Passeata pelas ruas do Centro de São Paulo
Wladimir Souza / Cromafoto

Não teve sorteio de carros e apartamentos nem show de “estrelas” da música pop. Mas o ato do 1º de maio realizado pelas entidades independentes que ainda levantam a bandeira do classismo reuniu cerca de duas mil pessoas na Praça da Sé, em São Paulo, na manhã do Dia do Trabalhador.

O ato teve início logo após a tradicional missa realizada na Praça da Sé, às 10h. Sob o sol forte, a multidão se concentrou na praça e partiu em passeata pelas ruas do centro, terminando em frente à Prefeitura de São Paulo. Estiveram presentes sindicatos e partidos políticos de esquerda, como o PSTU, PCB e o PSOL. Além de diversas categorias de trabalhadores da cidade, o ato também contou com a participação de movimentos populares e do campo, como o Movimento Urbano dos Sem-Teto, o MST e o MTL. “Estamos aqui hoje porque esse é um ato legitimado pela luta direta”, disse um militante do MUST e morador da ocupação Pinheirinho, em São José dos Campos.

A poucos quilômetros do show realizado pela CUT e financiado por governo e empresários, a Conlutas destacava-se na manifestação que reivindicava direitos históricos da classe e denunciava os ataques do governo Lula, como a reforma Sindical e Trabalhista, além do Super Simples. O ato serviu para mostrar que os trabalhadores estão dispostos a construir uma nova ferramenta de luta. O Conat (Congresso Nacional dos Trabalhadores) que acontece de 5 a 7 de maio, em Sumaré, servirá para consolidar uma alternativa, que poderá reunir os movimentos sociais, o movimento estudantil, e todos os trabalhadores da cidade e do campo.

José Maria de Almeida, o Zé Maria, da coordenação da Conlutas e da direção nacional do PSTU, saudou a luta dos trabalhadores em todo o mundo. “Salve a luta dos trabalhadores e da juventude trabalhadora de todo o mundo: no Iraque, na Palestina, na França…”, discursou. Zé Maria também atacou o discurso de Lula realizado na semana anterior, em que o presidente afirmava que este seria o “melhor 1º de maio dos trabalhadores”. “Lula está dizendo que melhorou a vida dos trabalhadores, mas nesses anos todos a única coisa que ele melhorou foi a vida dos banqueiros”, afirmou.

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Estiveram presentes no ato a Oposição Alternativa da Apeoesp, que denunciou as perseguições que os professores vem sofrendo, e também a política eleitoreira de Alckmin, de colocar os alunos da rede estadual em período integral “só comendo macarrão e mingau”. Em frente à Secretaria de Transportes, na rua Boa Vista, o sindicato dos metroviários também protestou contra as PPPs (Parcerias Público Privadas) que privatiza não só o Metrô, mas todo o setor de serviços públicos.

O representante do MST, Del Vecchi, defendeu a construção conjunto de um projeto de luta da classe trabalhadora. “Esse 1º de maio deve demarcar nosso compromisso com o projeto socialista. Temos que construir uma identidade de classe para os trabalhadores. Temos que construir uma aliança dos trabalhadores da cidade e do campo”, afirmou. Ele também denunciou a política neoliberal de Lula. “Por que não se faz a reforma agrária no Brasil? É porque temos uma política neoliberal sendo implementada no campo a mando das grandes empresas multinacionais”, denunciou.

O ato público terminou com uma grande concentração na frente da prefeitura paulistana, que, com a saída de Serra para disputar o governo do estado, está nas mãos do quase desconhecido Gilberto Kassab, do PFL. Dirceu Travesso, falando em nome do PSTU, denunciou a falsa polarização eleitoral entre PT e PSDB/PFL, chamando a formação de uma frente de esquerda, nas eleições e nas lutas. “Chamamos aqui a formação de uma frente, mas com algumas condições. Tem que ter um programa anticapitalista e anti-imperialista, contra a Alca e a dívida pública.”