14N: Unificar a luta dos trabalhadores na Europa contra os cortes e contra o pagamento da dívida

Manifestação em Portugal

Greve geral vai parar Portugal, Estado Espanhol, Grécia e ItáliaNeste mês de novembro, estamos diante de um fato político de extrema importância na Europa, a convocação da jornada internacional de mobilização feita pela CES (Confederação Europeia de Sindicatos). Além de manifestações em vários países, pela primeira vez na história, uma Greve Geral de 24 horas ocorrerá simultaneamente no Estado Espanhol, Grécia, Portugal, e haverá ainda uma greve de 4 horas na Itália.

Mesmo depois das grandes manifestações do 15S em Lisboa, da greve mineira e do cerco ao Congresso em Madri (25S), que marcaram um “antes” e um “depois” na luta contra os governos dos banqueiros, os ataques aos trabalhadores continuam, aprofundando a catástrofe social. Sem negociação à vista, não houve outro remédio para a burocracia dos CES a não ser convocar a Greve Geral para o dia 14.

Agora, o 14N pode ser um importante marco na construção da unidade internacional dos trabalhadores. Contudo, para isso, não deve ser somente um protesto contra a “austeridade” e sim o primeiro passo no sentido de unificar a reivindicação central que está nas ruas da Grécia, Portugal, Espanha e Irlanda: “Abaixo os planos de cortes sociais e contra o pagamento da dívida!”

A espiral grega chega a Portugal e ao Estado Espanhol
Nesta semana, o Parlamento grego votará o enésimo corte nos Orçamentos, 13 bilhões de euros, além de privatizações de empresas públicas e de uma nova reforma trabalhista que facilita as demissões. Em contrapartida, o jornalista grego Kosta Vaxevanis publicou uma lista de 2000 magnatas gregos, entre eles dirigentes do partido do governo (Nova Democracia), donos de substanciosas contas na Suíça, fruto da evasão fiscal.

A declaração do jornalista, “os ricos são intocáveis na Grécia”, teve um efeito devastador no governo. Enquanto a burguesia e os dirigentes da ND deixam de pagar impostos, o governo descarrega todos os cortes na população.

O governo enfrentará, nesta semana, a votação no Parlamento completamente desmoralizado, não somente pela sentença judicial que concedeu liberdade a Vaxevanis, como também por uma greve geral de 48 horas que paralisará novamente o país. A crise dos partidos que sustentam o governo de Samaras se aprofunda: a Esquerda Democrática (ruptura do PASSOK com 17 deputados) diz que não votará nas medidas, e o PASOK perde deputados todos os dias.

O relatório que a Troika divulgará no próximo dia 11, depois que o Parlamento confirmar o novo pacote de medidas, acrescenta mais 150 medidas, entre as quais a nova reforma trabalhista e um plano brutal de privatizações. No entanto, mesmo aplicando 100% das medidas de “austeridade”, a “dívida” que hoje é 169% do PIB chegaria a 179% no final de 2013.

É a mesma coisa que acontece em Portugal e na Espanha, que agora entram em uma espiral similar à grega. O Orçamento votado pelo Parlamento Português destina mais de 7 bilhões ao pagamento somente dos juros da dívida, 4,4% do PIB, e a demissão de 50 mil trabalhadores do serviço público.

O Estado espanhol destinará 50% do Orçamento ao pagamento da dívida; enquanto o desemprego se aproxima da cifra recorde de 6 milhões de trabalhadores, ou seja, 1 em cada 4 trabalhadores. Em contrapartida, bilhões de euros serão transferidos aos bancos, para que se livrem dos “ativos tóxicos” resultado da “bolha imobiliária”, enquanto mais de 500 despejos ocorrem a cada dia. Diante dessa catástrofe social só há uma resposta: “Não devemos, não pagamos!”.

O crescimento das lutas e o 14N
A grande manifestação de 15 de setembro em Lisboa, bem como o 25S em Madri, são duas datas fundamentais para compreender o processo que leva à greve do 14N. No caso de Lisboa, o 15S obrigou o governo de Passos Coelho a recuar na ignominiosa medida que aumentava a contribuição da previdência social dos trabalhadores e baixava a dos empresários. Esta vitória do movimento de massas, contudo, não foi obtida com a CGTP na linha de frente das mobilizações, e, depois desta vitória parcial, ocorreram várias greves: como as dos transportes (metrô, ferrovia e ônibus) e, em especial, a dos pilotos e a dos estivadores e trabalhadores das administrações portuárias, que desde o 17 de setembro vêm paralisando os portos portugueses.

Depois do 25S em Madri e do cerco ao Congresso, as greves, em particular do setor de transportes, e as manifestações diárias contra o corte nos salários ampliaram-se. E estes processos de luta imprimiram uma nova dinâmica: ultrapassaram as burocracias sindicais ou as obrigaram a assumir a direção do processo. Mas a resposta de todos os governos é manter todas as medidas intactas para salvar os bancos, em primeiro lugar, os bancos alemães e franceses, e por isso tais governos não recuam

Assim, empurrados pelas iniciativas de greves e mobilizações e sem nenhuma negociação à vista, a burocracia convoca o 14N. Devemos converter essa data em um passo importante e um ponto de apoio fundamental para seguir lutando por um plano de lutas que unifique os países do sul da Europa e derrube todas as medidas de cortes sociais!

A partir de cada local de trabalho, estudo e moradia, a partir das assembleias de preparação da greve, devemos exigir que a greve tenha objetivos claros e seja o primeiro passo no sentido de construir a unidade internacional dos trabalhadores, e deixar claro que a luta que nos unifica neste momento é luta contra o pagamento da dívida, justificativa dos governos para continuar com suas medidas.

Fora Passos Coelho, Rajoy, Monti e Samaras!
A votação do pacote mais brutal na Grécia desde o início da crise colocou na ordem do dia a derrubada do governo Samaras. No entanto, as principais forças políticas, começando pelo Syriza (e também o Partido Comunista), continuam apostando no desgaste do governo com os olhos postos no calendário eleitoral. Enquanto isso, a catástrofe social se aprofunda.

A polêmica sobre a convocação de uma greve geral por tempo indeterminado para derrubar o governo está presente no movimento operário. Vários sindicatos e federações de trabalhadores defenderam sua realização que, no entanto, foi varrida pela aliança do PC com a burocracia sindical. Diante deste fato, o Syriza não se pronunciou e não chamou a derrubada do governo pela ação das massas.

Não existe recuo na política da UE e dos governos a serviço dos banqueiros. As políticas de negociação da dívida e sua reestruturação, defendidas pelo Bloco de Esquerda, pelo PC português e pela Esquerda Unida no Estado Espanhol, significam continuar pagando a dívida. Estes partidos continuam presos aos interesses de cada uma das burguesias de seus países, na medida em que a suspensão do pagamento da dívida implicaria uma suposta saída do Euro.

Estão atados às táticas parlamentares e aos processos eleitorais, quando neste momento o destino de milhões de trabalhadores será decidido nas ruas e nos locais de trabalho, ou seja, por sua luta. Por isso, a consigna da COBAS — “ou sua dívida, ou nós” — deixa claro que não há solução intermediária.

A catástrofe social pode ser detida e para isso é necessário lutar contra o pagamento da dívida, e pela estatização, sem indenização, dos bancos e das principais empresas. Para aplicar esse plano de resgate da maioria da população explorada, devemos lutar por um governo dos trabalhadores, que se apoie na mobilização internacional dos explorados de toda Europa e que rompa com a Europa dos capitalistas na defesa de uma Europa socialista dos trabalhadores e dos povos.

Publicado originalmente no Site da LIT
Tradução: Suely Corvacho

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