‘Equatorianos, fomos traídos´

Reproduzimos trechos da declaração da Confederação dos Trabalhadores Equatorianos sobre o governo de Lúcio Gutiérrez.

“Como o povo equatoriano, também confiamos na candidatura do coronel Lúcio Gutiérrez que nos fazia ter esperanças de que durante o seu governo seriam impulsionadas mudanças em beneficio do povo (…).
Equatorianos, lamentavelmente temos que lhes dizer que fomos traídos, e diante disso, não há pior cego do que aquele que não quer ver e chama a ‘defender o projeto de Lúcio” (…).
Talvez o projeto seja o que se comprometeu com o FMI, através da “carta de intenção”, a desenvolver um programa de transferências (…) para a banca internacional.
Nosso compromisso histórico com as grandes causas do povo equatoriano nos chama a denunciar a política anti-pátria desenvolvida pelo governo (…).
A tergiversação da realidade, não só busca justificar a cumplicidade do governo com a transferência de recursos para a banca, senão e além disso fundamenta a proposta de congelamento para os salários que exige o FMI para facilitar a privatização das empresas (…).
Ocultar a realidade não fará com que as tropas norte-americanas que realizam operações militares em nosso território para agredir o povo irmão da Colômbia, desapareçam. E tampouco os barcos que patrulham em nosso mar territorial, senhor coronel, todos já os vimos.
As picaretas e as pás não bastam para cobrir a dívida social, a busca a todo custo para cobrir pontualmente o pagamento da dívida externa em detrimento da qualidade de vida dos equatorianos, tudo isso tem levado o governo do coronel Lúcio G. a fazer o que nenhum governo de direita pôde fazer:
· Com a mal chamada unificação salarial, se congela por dois anos os salários (…).
· A destruição do sistema nacional de Saúde mediante a municipalização com a qual o Estado se desobriga do povo.
· (…) privatização da Seguridade Social.
· A entrega dos campos petroleiros e refinarias às multinacionais (…).
· Comprometeu-se a aumentar o gás (…).
· Apodera-se do fundo de excedentes petroleiro e do fundo da Seguridade Social para continuar pagando a dívida externa.
· Comprometeu-se a demitir 30 mil trabalhadores públicos em vez de gerar emprego.
· Aumenta as tarifas elétricas (…).
Através de uma manobra desonesta, pretende fazer com que os equatorianos acreditem que a defesa do patrimônio nacional e dos direitos trabalhistas vigentes seja confundida com a defesa egoísta de supostas regalias, que nós trabalhadores não temos.
Em nossas fileiras não existem ladrões de fundos públicos ou corruptos (…). Somos parte do povo que continua sonhando com a justiça social, em um país de desequilíbrios.
Senhor presidente, (…) é o momento de cumprir as promessas de campanha (…).
Por isso exigimos:
· Fim do projeto de unificação salarial;
· Arquivamento dos projetos de privatização dos campos de petróleo e refinarias;
· Arquivamento do projeto de entrega das empresas elétricas a empresas internacionais;
· Retirada imediata das tropas estrangeiras do território e do mar territorial equatoriano;
· Saída dos ministros da Economia, Governo e Energia;
· Fim da perseguição contra os trabalhadores e seus dirigentes;
· Arquivamento das ordens de prisão para os ex-dirigentes da Petroequador;
· Arquivamento do projeto que entrega em-presas telefônicas a empresas internacionais;
Construir uma nova instância para a unidade e luta dos trabalhadores e do povo.”

Quito, 13 de julho de 2003
Pela libertação dos trabalhadores
Confederação dos Trabalhadores do Equador (CTE)

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