Uma vida dedicada à luta contra a opressão e a exploração: Cilinha, presente!

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Nota da Secretaria Nacional de Mulheres do PSTU sobre o falecimento de Cilinha

Foi com muita tristeza que recebemos na manhã desse dia 23 a notícia de falecimento de, nossa camarada do PSTU, Cecilia Toledo.  Cilinha, como era carinhosamente conhecida, dedicou sua vida à construção da Liga Internacional dos Trabalhadores desde a sua juventude até seus últimos dias, travando intensamente a luta contra a opressão e a exploração.

Foi jornalista, artista e defensora da luta das mulheres trabalhadoras. Militou durante a ditadura, fazendo da arte instrumento de luta contra a repressão. Ajudou a construir uma imprensa livre dos trabalhadores, como colaboradora do jornal Versus, da Convergência Socialista. Recentemente, foi anistiada pelo Estado por ter sido reconhecidamente perseguida pela repressão militar nas décadas de 60 e 70.

No PSTU, a trajetória pela construção de um programa para a mulher trabalhadora se confunde com a trajetória de Cilinha. Foi uma das fundadoras da Secretaria Nacional de Mulheres do PSTU e contribuiu para a elaboração de nosso primeiro programa contra o machismo e a exploração. Seu principal legado teórico foi o livro “O gênero nos une e a classe nos divide”. Traduzido em vários idiomas, é hoje referência para a esquerda marxista interessada na mulher trabalhadora

A obra foi datada de 1990, momento em que grande parte do movimento de mulheres abandonava o marxismo em oposição às teorias de gênero. Contra essa guinada, Cilinha resgatou o corte de classe da luta das mulheres, materializando as diferenças entre as demandas das  burguesas e as  das trabalhadoras, demonstrando que,  apesar de pertencentes a um mesmo gênero, os interesses de classe as colocavam em terrenos opostos.  Este  material  demarcou para  sempre a compreensão do PSTU sobre a combinação da luta pelos direitos democráticos das  mulheres na  luta pelo  socialismo.

Polêmica, de opinião forte, Cilinha sempre travou o bom combate. Defendia com afinco suas ideias, mesmo quando já estava debilitada pela doença. Nada era impedimento para defender o que acreditava. Para citar um exemplo, participou do V Encontro de Mulheres do PSTU, em 2012, utilizando um colete para sustentar a coluna, mas com a cabeça erguida para travar uma polêmica que  permeou todo o encontro. Sua força era exemplo para as novas gerações.  Sua garra e sua vontade de buscar a melhor política para o partido foi notável. Sabíamos que estava debilitada, mas jamais reclamou ou requereu atenção especial.  Raras vezes se dizia cansada, mas jamais  derrotada pela doença.

Nos três últimos anos, não estava mais na Secretaria Nacional de Mulheres, mas nem por isso deixou de levar a frente a luta em defesa da mulher trabalhadora.  Era membro da Secretaria Internacional de Mulheres da LIT, fazia palestras e viajava pelo Brasil e a outros países para auxiliar as  seções da LIT  ou    apresentar a sua peça  teatral contra a violência à mulher,  “Luta Poética”.

Nos últimos dias de sua vida, alternava seções de quimioterapia com reuniões. Reservada como era, não gostava de expor a dor. Nunca reclamava, nunca se queixava, nunca se entregava.  Resistiu como pôde, mas infelizmente a doença abateu-se sobre seu corpo.

Será lembrada por todos pela convicção e determinação. Estará viva em cada um de nós enquanto houver uma mulher trabalhadora oprimida e explorada.  Faremos de seu legado o motor para nosso próximos embates da luta de classes.

Cilinha, presente!